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	<description>Tudo sobre Mixed Martial Arts, Boxe e esportes de combate</description>
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		<title>E as peças começam a se encaixar na divisão dos meio-pesados do UFC</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Sep 2010 21:00:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Matos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A divisão dos meio-pesados, provavelmente a mais concorrida e com mais atletas de alto nível disputando o cinturão do UFC, teve seu futuro um tanto clareado nos últimos dias. Algumas lutas estão agendadas/marcadas. Em conjunção, declarações de Dana White deram um rumo para a categoria. Vamos discutir isso aqui.
Já está definido que Maurício Shogun vai [...]


Nenhum artigo relacionado.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A divisão dos meio-pesados, provavelmente a mais concorrida e com mais atletas de alto nível disputando o cinturão do UFC, teve seu futuro um tanto clareado nos últimos dias. Algumas lutas estão agendadas/marcadas. Em conjunção, declarações de Dana White deram um rumo para a categoria. Vamos discutir isso aqui.</p>
<p>Já está definido que <strong>Maurício Shogun</strong> vai defender seu cinturão pela primeira vez contra <strong>Rashad Evans</strong>, que conquistou o direito depois de vencer <strong>Quinton Jackson</strong> no UFC 114. Outros dois duelos já certos envolvendo lutadores de ponta da categoria são <strong>Rogério Minotouro</strong> contra <strong>Ryan Bader</strong>, <em>co-main event</em> do UFC 119 e <strong>Lyoto Machida</strong> enfrentando Rampage, este ainda sem data definida.</p>
<p><a href="wp-content/uploads/2010/09/Jon_Jones.jpg"><img src="wp-content/uploads/2010/09/Jon_Jones.jpg" alt="" title="UFC 94 Jon Jones aplica um suplê em Stephan Bonnar" width="300" height="258" class="alignleft size-medium wp-image-5110" /></a>Quem vem na &#8220;de fora&#8221; desta movimentação é <strong>Jon Jones</strong>. O garoto, tratado como pedra preciosa pelo UFC, enfrentará o vencedor de Minotouro-Bader. Ao falar sobre esta luta, o presidente do UFC Dana White completou dizendo que Bones poderá disputar o cinturão se vencer as duas próximas lutas.</p>
<p>Aí começa a nossa especulação. A luta entre Minotouro e Bader será complicada, com resultado totalmente em aberto. Como torcedor, acho que Minotouro leva. Como fã e <em>wannabe</em>-analista do esporte, analisando as possibilidades, acho melhor que o brasileiro vença mesmo. Bader seria presa fácil para a versatilidade de Jones. Ambos são bastante laureados na luta olímpica universitária. No resto, Jones engole Bader. Contra Rogério, o panorama se complica um pouco para o garoto-sensação. Se, em pé, o boxe de guarda baixa do baiano pode representar perigo, caso a luta vá para o chão, Minotouro tem grandes chances de se aproveitar dos inúmeros buracos mostrados por Jones nesta área. O <em>ground and pound</em> de Bones, tão bom quanto arrogante, já expôs várias deficiências. Quem não imaginou Minotouro catando o braço de Jones quando o mesmo encontrava-se martelando o rosto de Brandon Vera com aqueles brações esticados? Com 1,93m, cheio de braço (são incríveis 2,15m de envergadura!!!) e de perna, Jon é um alvo o qual os lutadores de jiu-jitsu devem lamber os beiços e esfregar as mãos na ânsia enfrentar.</p>
<p>Mesmo assim &#8211; infelizmente -, acho que Jones seria favorito contra Minotouro. Sobraria então uma luta antes da hora da verdade. E que combate seria esse? Se Dana quer mesmo colocá-lo numa disputa de cinturão depois de duas vitórias, acho interessantíssimo escalar Jones contra o vencedor de Machida-Rampage. Ou seja, Lyoto. Acho que as chances de Jackson quedar o baiano-paraense são nulas. E a de encaixar um pombo sem asa em cheio são estatisticamente desprezíveis. Aquele estilo que nocauteou Wand é um convite a ir para a vala contra um contragolpeador do naipe de Machida.</p>
<p><a href="wp-content/uploads/2010/09/pegadinhadomallandro.jpg"><img src="wp-content/uploads/2010/09/pegadinhadomallandro.jpg" alt="" title="Pegadinha do Mallandro" width="130" height="150" class="alignright size-thumbnail wp-image-5107" /></a>Como Shogun só deve enfrentar Rashad lá para fevereiro ou março, teríamos tempo então de ver Jones vs Machida encabeçar o <em>card</em> imediatamente posterior. Jones-Minotouro e Lyoto-Rampage podem acontecer em novembro ou dezembro. Em março os vencedores se enfrentam. E no meio do ano, quem sobreviver a este funil terá a chance contra o vencedor de Shogun-Rashad, ou seja, Rashad. Rá! Pegadinha do Mallandro! Mais improvável que Rampage vencendo Lyoto é Rashad dominando Shogun.</p>
<p>Se Jones passar por Minotouro e Lyoto, terá dado provas irrefutáveis que merece (e tem condições de) enfrentar Shogun pelo cinturão. Se vai vencer são outros quinhentos. Mas certamente veríamos uma luta sensacional, de um garoto super talentoso, mais amadurecido depois de duas guerras, contra o melhor meio-pesado da história.</p>


<p>Nenhum artigo relacionado.</p>]]></content:encoded>
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		<title>Vídeos de Luta (15)</title>
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		<pubDate>Tue, 31 Aug 2010 21:30:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Matos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Olha o Vídeos de Luta aí, gente! A coluna mais aguardada do MMA-Brasil.com volta trazendo uma engraçada homenagem ao esporte que mais cresce no mundo de alguns personagens que fizeram parte da infância da galera que, assim como eu, acompanha o MMA desde seus primórdios, no início dos anos 90.
Neste vídeo, o lendário urso Zé [...]


Nenhum artigo relacionado.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olha o <strong>Vídeos de Luta</strong> aí, gente! A coluna mais aguardada do <strong>MMA-Brasil.com</strong> volta trazendo uma engraçada homenagem ao esporte que mais cresce no mundo de alguns personagens que fizeram parte da infância da galera que, assim como eu, acompanha o MMA desde seus primórdios, no início dos anos 90.</p>
<p>Neste vídeo, o lendário urso <strong>Zé Colmeia</strong> (ou Yogi Bear para os americanos) enfrenta seu nêmesis, o <strong>Guarda Chico</strong>. Depois de frustrar diversas tentativas de o urso faminto roubar cestas de piquenique no parque Jellystone, o guarda florestal e ex-soldado do exército americano Chico (Ranger Smith na versão original) é agredido por Colmeia. Aproveitando-se do momento de desconforto do oponente, Zé aplica um suplê no atordoado guarda. Os lutadores caem e se embolam no chão. Chico tenta dominar por cima, mas é raspado e Colmeia acaba na guarda do adversário. Dali desfere alguns golpes no <em>ground and pound</em> e&#8230;</p>
<p>Chega de papo, fiquem com a animação:</p>
<p><center><span class="youtube">
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<param name="wmode" value="transparent" />
</object>
</span><p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=Lzo8xADFwjA">www.youtube.com/watch?v=Lzo8xADFwjA</a></p></center></p>


<p>Nenhum artigo relacionado.</p>]]></content:encoded>
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		<title>UFC 118 Edgar vs Penn 2: Análise do card principal</title>
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		<pubDate>Sun, 29 Aug 2010 02:00:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Matos</dc:creator>
				<category><![CDATA[MMA]]></category>
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</ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Muito trabalho para os juízes na noite de sábado, no TD Garden, em Boston. Das cinco lutas do <em>card</em> principal do <strong>UFC 118</strong>, três delas foram decididas pelas papeletas &#8211; e outra terminou a menos de um minuto do fim. No combate principal, <strong>Frank Edgar</strong> mostrou mais uma vez que tem o antídoto para <strong>BJ Penn</strong> e manteve o cinturão dos leves, desta vez sem deixar dúvida. No desafio MMA x Boxe, deu o óbvio: <strong>Randy Couture</strong> submeteu <strong>James Toney</strong> com imensa facilidade. <strong>Demian Maia</strong> mostrou estar psicologicamente recuperado da luta contra Anderson e dominou completamente <strong>Mario Miranda</strong>. <strong>Gray Maynard</strong> ganhou o posto de desafiante de Edgar ao superar <strong>Kenny Florian</strong>, enquanto <strong>Nate Diaz</strong> submeteu <strong>Marcus Davis</strong>. O evento atraiu público de 15.575 pagantes ao ginásio, o quinto maior do UFC em 2010. Depois de Dana White se dizer surpreso por não ter vendido todos os ingressos rapidamente, cerca de 4.000 pessoas adquiriram suas entradas nos últimos dias.</p>
<ul><strong>Frank Edgar</strong> (EUA) venceu <strong>BJ Penn</strong> (EUA) por decisão unânime (50-45, 50-45, 50-45)</ul>
<p><center><a href="wp-content/uploads/2010/08/UFC118_FrankEdgar_BJPenn.jpg"><img src="wp-content/uploads/2010/08/UFC118_FrankEdgar_BJPenn.jpg" alt="" title="UFC 118 Frank Edgar sobrepujou BJ Penn" width="300" height="200" class="aligncenter size-medium wp-image-5095" /></a></center><br />
</p>
<p>Se alguém duvidava da vitória de Edgar em Abu Dhabi, o campeão resolveu acabar com o falatório de modo inconteste.</p>
<p>Nas entrevistas antes da luta e principalmente no programa Countdown do UFC 118, BJ deixou claro que estava muito motivado para recuperar seu cinturão, que este combate seria diferente do anterior. E até que ele começou mostrando isso mesmo. Saiu para uma troca de socos pesados logo de cara, mas um <em>single-leg</em> do campeão mostrou que o filme se repetiria. Em pé, nenhum movimento ofensivo de Penn ficava sem resposta. O ex-campeão tentou mostrar calma para se levantar rapidamente quando foi quedado pela segunda vez no <em>round</em> inicial. Repetindo a estratégia anterior, o campeão girou bastante, mantendo-se longe do alcance dos perigosos punhos do havaiano e venceu por 10-9.</p>
<p>A partir daí a frustração ficou visível no rosto de BJ. E, com ela, foi-se qualquer esperança de reação. O tempo passava, Edgar girava, batia e saía, evitava que a luta descambasse para a pancadaria. Dominou  o combate em pé com autoridade, onde teve maior precisão e potência. Levou vantagem quando o duelo ficou grudado no <em>clinch</em>. E mais uma vez venceu a batalha das quedas. Levou o segundo e o terceiro também por 10-9.</p>
<p>No quarto, o único erro cometido pelo campeão em toda a luta. Expôs-se e acabou quedado por uma baiana, quando BJ tentou montar. O campeão ficou na guarda e aproveitou uma brecha dada por Penn na tentativa de passar a guarda para se levantar. Depois deste lapso, o panorama da luta voltou ao modo anterior. Um preciso <em>ground and pound</em> do campeão deu as caras nos dois rounds finais. Enquanto o desafiante parecia muito cansado, Edgar lutava o quinto <em>round</em> como se a luta estivesse em seus minutos iniciais. Com mais dois 10-9, Frank fechou o caixão por 50-45 (mesma contagem dos três juízes) e reteve seu cinturão.</p>
<p>Mostrando a humildade de sempre, Edgar explicou a luta e a sensação de bater pela segunda vez o melhor peso leve da história:</p>
<blockquote><p>“Primeiro, gostaria de agradecer ao BJ. Ele realmente tira o meu melhor. Eu sabia que ele viria para endurecer. Na primeira vez foi apertado. Eu só queria garantir. Sinto-me como se pudesse caminhar sobre a água.&#8221;</p></blockquote>
<p></p>
<p>Já BJ se mostrava acomodado e aceitou o resultado:</p>
<blockquote><p>“Frankie fez uma grande luta. Ele é o cara. Não tenho nada de ruim a dizer. Ele me enfrentou duas vezes. Venceu na decisão duas vezes. O que você pode dizer? Tudo pareceu do mesmo modo da última vez. Ele tirou tudo de bom, tenho muito respeito. Eu realmente preciso voltar e pensar em algumas coisas.”</p></blockquote>
<p></p>
<ul><strong>Randy Couture</strong> (EUA) venceu <strong>James Toney</strong> (EUA) por submissão (3:19, R1)</ul>
<p><center><a href="wp-content/uploads/2010/08/UFC118_RandyCouture_JamesToney.jpg"><img src="wp-content/uploads/2010/08/UFC118_RandyCouture_JamesToney.jpg" alt="" title="UFC 118 Randy Couture finalizou James Toney" width="300" height="200" class="aligncenter size-medium wp-image-5094" /></a></center><br />
</p>
<p>&#8220;Que papelão&#8230;&#8221; foi a primeira frase que emiti enquanto o Natural corria pelo octógono, comemorando sua vitória.</p>
<p>Tudo bem que a maioria das análises apontavam para uma vitória fácil de Randy. Mas do jeito que foi, ficou ainda mais ridículo para o ex-boxeador. Couture nem deu margem para brincadeiras. Com menos de 30 segundos, o veterano integrante do Hall da Fama lembrou os velhos tempos e voou na perna de Toney num baixíssimo e arriscadíssimo <em>single-leg</em>, inadmissível para um lutador profissional de MMA levar. Tão ridículo quanto acertar o <em>single</em> foi a facilidade que Randy encontrou para montar imediatamente. Socou o rosto de Toney, apertou o peito com a cabeça, posturou, largou mais socos e tentou seu primeiro katagatame da noite. Buscou espaço para passar o corpo para o lado do adversário, mas desperdiçou. Randy então afastou James da grade e apertou novamente o katagatame. Desta vez conseguiu passar para o lado, fazendo o gorducho desistir rapidamente.</p>
<blockquote><p>&#8220;Isso foi exatamente o que treinamos. Ninguém tenta um <em>single-leg</em> baixo no MMA. Eu sabia que, pela base de boxe de James, este movimento provavelmente funcionaria &#8211; e deu certo. Tenho trabalhado neste triângulo de mão há mais de um ano e finalmente consegui, foi maravilhoso. Eu acho, de verdade, que mesmo se ele treinou por nove meses, é tempo insuficiente para aprender tudo o que ele precisava saber sobre MMA. Eu sou um grande fã de boxe. James tem muito crédito por ter subido aqui. Ele é o primeiro boxeador a ter feito isso. Acho que todos nós do MMA amamos boxe e tenho esperança que agora um monte de boxeadores como James vão começar a amar MMA.&#8221;</p></blockquote>
<p></p>
<p>Ainda meio grogue, Toney declarou que não vai desistir da tentativa:</p>
<blockquote><p>“Eu não esperava que ele fosse tão agressivo logo no começo. Ele apenas me pegou. Ele me botou no chão e eu não consegui me livrar do triângulo de mão. Mas eu voltarei. Não sou de desistir.”</p></blockquote>
<p></p>
<ul><strong>Demian Maia</strong> (BRA) venceu <strong>Mario Miranda</strong> (BRA) por decisão unânime (30-27, 30-27, 30-27)</ul>
<p><center><a href="wp-content/uploads/2010/08/UFC118_DemianMaia_MarioMiranda.jpg"><img src="wp-content/uploads/2010/08/UFC118_DemianMaia_MarioMiranda.jpg" alt="" title="UFC 118 Demian Maia dominou Mario Miranda" width="300" height="200" class="aligncenter size-medium wp-image-5093" /></a></center><br />
</p>
<p>Depois de parecer tecnicamente um lutador mediano contra Anderson, Demian mostrou que merece o lugar na elite entre os médios.</p>
<p>Apesar do domínio completo, Demian não teve uma atuação de gala. Com Anderson Silva em seu córner, Miranda estava visivelmente desconfortado na luta, talvez nervoso por estar num <em>card</em> principal do maior evento do mundo. Não parecia um ex-campeão brasileiro de <em>wrestling</em>, tal a facilidade encontrada por Demian para levar a luta para o chão. Consciente do melhor nível no muay thai do oponente, Maia foi inteligente ao evitar a trocação na média/longa distância. Conseguiu cinco quedas durante a luta, foi para as costas, tentou diversas vezes sair em submissões diferentes, sempre defendidas pelo também faixa preta de jiu-jitsu.</p>
<p>No segundo e terceiro <em>rounds</em>, o panorama foi semelhante. Quedas, passagens de guarda e até duas montadas foram capitalizadas pelo paulista. Chegou perto de encerrar a luta em duas oportunidades, com chaves de braço bem defendidas por um cansado Mario. Aos berros, Anderson implorava por uma joelhada, mas Miranda insistia em tentar socar de longe. No fim da luta, Demian conseguiu a última queda, montou rapidamente e saiu para um <em>armlock</em>. Com o braço extendido, Miranda segurou a onda, conseguiu se safar e ainda virou a posição, saindo por cima, de onde despejou alguns poucos socos antes de a buzina soar.</p>
<p>Com três 10-9, Demian Maia venceu de modo inconteste. Mas ainda ficou devendo maior variação em seu jogo. Assim como os combates dos <em>wrestlers</em> amarrões, esta luta também foi chata. Contra um <em>striker</em> de excelência, como Anderson ou Vitor Belfort, vai ficar muito difícil se manter nesta tática quase que unidimensional.</p>
<ul><strong>Gray Maynard</strong> (EUA) venceu <strong>Kenny Florian</strong> (EUA) por decisão unânime (30-27, 30-27, 29-28)</ul>
<p><center><a href="wp-content/uploads/2010/08/UFC118_GrayMaynard_KennyFlorian.jpg"><img src="wp-content/uploads/2010/08/UFC118_GrayMaynard_KennyFlorian.jpg" alt="" title="UFC 118 Gray Maynard superou Kenny Florian" width="300" height="237" class="aligncenter size-medium wp-image-5092" /></a></center><br />
</p>
<p>Com seu estilo eficiente (e desta vez um pouco menos chato), Maynard abocanhou mais uma vitória e agora só precisa repetir a luta anterior contra Edgar para tomar-lhe o título.</p>
<p>A estratégia de Maynard era clara. Aliás, é praticamente a mesma em todas as lutas. Quedar, trabalhar o <em>ground and pound</em>. Quedar novamente, descer a marreta de novo. Apesar de ter equilibrado o primeiro <em>round</em>, que terminou empatado na minha contagem (com pouco sendo feito por ambos, diga-se), KenFlo não conseguiu evitar o jogo de Gray. A favor do mais novo desafiante ficou a melhora no seu nível de boxe. Mais consciente, mais preciso. A prova disso é a interessante estatística apontada pelo Compustrike: dos 34 golpes desferidos com os braços (socos ou cotoveladas), Maynard acertou 18, <strong>todos</strong> eles com potência. Numa comparação, Florian, que teve seu boxe exaltado (exageradamente, na minha opinião) contra Takanori Gomi, até tentou mais (47), mas só acertou 7 golpes, com apenas um solitário soco potente. Assim dificulta muito interromper a evolução de um <em>wrestler</em> gabaritado num octógono.</p>
<p>Com o equilíbrio indo embora a partir do segundo <em>round</em>, o sono deve ter batido na maioria dos telespectadores. Gray abriu um corte no rosto de Kenny, num lance que pode ter feito a diferença psicológica na luta. Depois disso, KenFlo foi um rascunho do lutador que tentou o cinturão em duas oportunidades. O terceiro <em>round</em> ia pelo mesmo caminho. No final, um desesperado Florian, que era socado em sua guarda, tentou reverter com uma omoplata, mas Maynard mostrou a habitual calma e se livrou de uma possível submissão.</p>
<p>Com dois 10-9, Maynard segue invicto, agora com 11-0-0 (1 NC) e ganhou o direito de desafiar Frank Edgar pelo título dos leves. Vale lembrar que ambos já se enfrentaram no UFC Fight Night 13, quando outra decisão unânime mostrou a primeira e única derrota até aqui da carreira do atual campeão.</p>
<ul><strong>Nate Diaz</strong> (EUA) venceu <strong>Marcus Davis</strong> (EUA) por submissão (4:02, R3)</ul>
<p><center><a href="wp-content/uploads/2010/08/UFC118_NickDiaz_MarcusDavis.jpg"><img src="wp-content/uploads/2010/08/UFC118_NickDiaz_MarcusDavis.jpg" alt="" title="UFC118 Nick Diaz massacrou Marcus Davis" width="300" height="200" class="aligncenter size-medium wp-image-5091" /></a></center><br />
</p>
<p>Em um combate sangrento, o pupilo de Cesar Gracie deformou o lado direito do rosto de Davis e fechou o caixão apagando o oponente.</p>


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		<title>UFC 118 Edgar vs Penn 2: Card principal</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Aug 2010 17:32:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Matos</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="wp-content/uploads/2010/08/ufc_118_poster.jpg"><img src="http://www.mma-brasil.com/wp-content/uploads/2010/08/ufc_118_poster-234x300.jpg" alt="" title="UFC 118 Poster" width="234" height="300" class="alignleft size-medium wp-image-5060" /></a>Depois de uma longa batalha para sancionar o MMA no estado de Massachussets, o UFC aporta pela primeira vez em Boston, no TD Garden, ginásio do Boston Celtics, para o <strong>UFC 118</strong>, que traz um <em>card</em> principal muito interessante, em que pese a procura por ingressos menor que o de costume para a organização. Com uma disputa de cinturão, um combate para apontar desafiante de título e um duelo MMA x Boxe, podemos esperar uma noite bem divertida. Na luta principal, o campeão dos leves <strong>Frank Edgar</strong> faz sua primeira defesa na revanche contra <strong>BJ Penn</strong>. O vovô-garoto <strong>Randy Couture</strong> dá as boas-vindas ao estreante no esporte <strong>James Toney</strong>, ex-campeão mundial em diversas categorias do boxe. No duelo de brasileiros, <strong>Demian Maia</strong> volta depois da polêmica contra Anderson Silva e enfrenta <strong>Mario Miranda</strong>. Valendo vaga para disputar o cinturão contra o vencedor da luta principal, <strong>Kenny Florian</strong> mede forças com <strong>Gray Maynard</strong>. No início dos trabalhos, <strong>Nate Diaz</strong> encara a &#8220;granada de mão&#8221; <strong>Marcus Davis</strong>.</p>
<ul><strong>Frank Edgar</strong> (EUA) vs <strong>BJ Penn</strong> (EUA)</ul>
<p>São poucas as vezes em que um campeão defende seu cinturão como azarão. Esta luta é um exemplo.</p>
<p>BJ Penn é o melhor peso leve da história do esporte. Mas é um dos lutadores mais incertos que eu já vi. Bem condicionado e focado, é dificílimo de ser batido por qualquer oponente na categoria. Infelizmente, para ele e para o esporte, nem sempre entra bem preparado. Como na primeira luta entre ambos. O Prodigy parece ser adepto do <em>Romário&#8217;s way of life</em> criado por Tom Cavalcante (&#8220;treinar pra que, se eu já sei o que vou fazer&#8221;). Mas nem sempre o talento natural resolve.</p>
<p>Frank Edgar é diferente do desafiante em dois pontos fundamentais: exatamente por não ter o mesmo talento natural de Penn, o campeão sempre está bem preparado. Treina como poucos. Aqui cabe uma frase do excelente treinador Martin Rooney: &#8220;O trabalho duro vence o talento quando o talento não trabalha duro&#8221;.</p>
<p>O Prodigy tem ferramentas para anular qualquer tática que o atual campeão adotar. Se Edgar lançar mão de seu forte <em>wrestling</em> e deixar Penn de costas para o chão, vai dar de cara com um atleta extremamente flexível, praticamente impossível de ter a guarda passada e dono de um chão ofensivo mesmo por baixo. Caso &#8220;The Answer&#8221; repita a tática adotada na primeira luta, de atuar em pé, girando, batendo rápido e saindo mais rapidamente ainda, vai correr o risco de ser subjugado pelo boxe de mais alto gabarito de BJ. Mas, para isso, o havaiano precisa se fazer valer da vantagem física (Edgar é um peso leve muito pequeno) e não vai poder lutar plantado, estático, como na primeira vez. Tem que aproveitar as brechas para contragolpear e tomar para si o rumo do combate.</p>
<p>O caminho para Edgar ser bem sucedido em sua primeira defesa passa por lutar 25 minutos na pressão total. Ele não pode dar espaço para Penn, seja em pé, seja no chão. Como Georges St-Pierre fez no UFC 94. Condição física para isso sobra em Frank. Precisará repetir o imenso poder mental que mostrou no UFC 112.</p>
<p>O primeiro duelo, apertadíssimo, ficou para ser decidido pelos juízes. Desfecho: cinturão no tronco de Edgar. Muita gente reclamou, mas o fato é que o combate foi apertado e parelho demais, qualquer um poderia ter vencido. Assim como eu concordei com o resultado, aceito quem viu o oposto. Para esta luta, caso Penn vença, acredito que o faça antes do final. Palpito um mata-leão no terceiro <em>round</em>. Mas se a vitória ficar com o campeão, acho que teremos outra batalha de 25 minutos, decidida pelas papeletas. Tenho receio de apontar um resultado, mas como não sou homem de ficar em cima do muro, entre as duas possibilidades, fico com a primeira.</p>
<ul><strong>Randy Couture</strong> (EUA) vs <strong>James Toney</strong> (EUA)</ul>
<p>Circo dos horrores? Duelo de velhos? Que nada! Vou confessar que estou amarradão para ver esta luta.</p>
<p>A esta altura, todos já sabem que Toney foi campeão mundial de boxe. Talvez nem todos conheçam sua trajetória na nobre arte. Fez carreira amadora como médio-ligeiro (até 70kg) entre 1983 e 1988. Como profissional, subiu um nível e foi campeão mundial dos médios (até 72,5kg) em 91. Continuou a subir de peso e pegou o cinturão dos supermédios (até 76,2kg) em 93. Tome de subir de peso e tome de ganhar título. Tornou-se campeão dos meio-pesados (até 79,4kg). Até aí, tudo condizente com sua altura de 1,75m. Mas parece que controlar o peso nunca foi o forte do Lights Out. Subiu mais um degrau, bateu o limite dos cruzadores (até 90,7kg) e capturou outro cinturão. Não contente, deu o último passo em 2003, quando nocauteou Evander Holyfield como pesado. Obviamente isso tudo vem de um jeito ou de outro. Por duas vezes, Toney foi pego por comissões atléticas por uso de Winstroll (estanozolol) e boldedona (anabolizante para cavalos). A idade chegou, o gosto por comida e o desgosto por treinar ficaram fortes e o baixinho bateu 100kg, ostentando uma ridícula pança. Aos 42 anos, completados na última terça-feira, tanto encheu o saco de Dana White que vai conseguir estrear no MMA profissional.</p>
<p>Randy Couture dispensa apresentações. Foi escolhido por Dana para um fim bem claro: mostrar aos forasteiros que, no MMA, o buraco é bem mais embaixo. O Natural ainda tem outro lado a mostrar. Cinco anos mais velho e muito bem condicionado fisicamente como sempre, quer deixar claro para o mundo o quão ridícula é a forma física de James, aproveitando para se solidificar como o melhor atleta pós-40 do mundo.</p>
<p>O apogeu de Toney ocorreu no meio da década de 90, como campeão peso médio e supermédio. Hoje é um rascunho do grande lutador que foi. Ainda há muita gente apostando no poder da pegada que mandou muita gente boa para a vala no boxe. Lembro a estas pessoas que, além de nunca ter sido um peso pesado natural, Toney vai lutar descalço. Isso significa que não poderá usar o atrito das sapatilhas para gerar potência nos golpes. Randy é 10cm mais alto, com alcance igualmente superior. E já cansou de mostrar que é capaz de quedar qualquer boxeador que resolver dividir o octógono com ele.</p>
<p>O mais provável é que Couture domine o gorducho no <em>clinch</em> contra a grade, num atalho para levar a luta para o chão e ganhar no <em>ground and pound</em> ou numa submissão. Faz mais de uma década que Toney não apresenta movimentação digna. Restaria a ele esperar por um soco salvador. Acho meio pretensioso um camarada querer lutar no UFC contra um oponente do naipe de Couture se baseando apenas nisso. Mas que seria no mínimo engraçado ver a cara de Dana White olhando incrédulo para um Randy nocauteado, isso seria. Pena que é improvável demais.</p>
<ul><strong>Demian Maia</strong> (BRA) vs <strong>Mario Miranda</strong> (BRA)</ul>
<p>Duelo de pesos médios que marca a tentativa de Demian se manter na elite da divisão, depois do circo criado por Anderson nos Emirados Árabes. Esta luta seria entre Toquinho e Nate Marquardt. Demian enfrentaria Alan Belcher no <em>card</em> preliminar. Mas a séria contusão na retina de Belcher moveu Toquinho-Marquardt para a luta principal do UFC Fight Night 22. Mario substituiu Alan e a luta foi alçada para o <em>card</em> principal.</p>
<p>Com 1,92m, Mario é muito alto para a divisão. É pouco conhecido dos brasileiros, pois fez toda sua carreira profissional na América do Norte. É faixa preta de jiu-jitsu, mas mostra também bom domínio de luta olímpica e um muay thai afiado.</p>
<p>Demian tem feito visitas constantes a Luis Dorea em Salvador visando melhorar seu boxe. Contra Dan Miller, lutou como um <em>striker</em>. Contra Anderson, com a luta já perdida, foi para o desespero nos dois <em>rounds</em> finais, também na trocação. Se seguir esta linha e resolver achar que pode trocar em pé, provavelmente terá problemas. Mario é grande e sabe usar a distância, seja com <em>jabs</em> ou com chutes. Demian não tem habilidade de boxeador para encurtar contra um trocador melhor. E se encurtar, Miranda também sabe se virar no <em>clinch</em>, seja no <em>wrestling</em> ou no <em>thai</em>. Mas se em pé Demian deve levar um atraso, no chão ele é capaz de vencer qualquer um. Por mais que seja um faixa preta, Miranda não tem a mesma eficiência na adaptação da arte suave ao MMA que Maia tem.</p>
<p>Mais do que tudo, vamos ver como anda o psicológico e a confiança de Demian, depois de perder uma luta por cinturão, principalmente do jeito que foi. Palhaçadas a parte, o certo é que ele estava levando um dos maiores vareios da história quando Anderson resolveu parar de lutar. Se Demian lutar buscando as quedas para trabalhar o chão, tem boas chances de vencer. Não será fácil conseguir um <em>takedown</em>, pois Mario mostra seu melhor no combate grudado em pé. Eu aponto 50% de chances para uma vitória por submissão de Demian Maia ou uma decisão unânime a favor de Mario Miranda.</p>
<ul><strong>Kenny Florian</strong> (EUA) vs <strong>Gray Maynard</strong> (EUA)</ul>
<p>Duelo de leves que vai apontar o desafiante do vencedor da luta principal da noite.</p>
<p>Maynard é um típico <em>wrestler</em> daqueles chatos. Basta dizer que, das sete vitórias no UFC, as seis últimas foram por decisão. Mas protagonizou momentos curiosos nas duas primeiras lutas. Na segunda delas, precisou de apenas nove segundos para conseguir o segundo nocaute mais rápido da história do evento contra Joe Veres. Sua estreia teve um desfecho hilário. Dominou a luta contra Rob Emerson no TUF 5 Finale. No início do segundo <em>round</em> aplicou um <em>double-leg</em> monstro no oponente, que bateu imediatamente, com as costas machucadas. Mas na queda, Gray bateu violentamente com o rosto no chão e ficou fora de órbita. Sim, amigos, vocês não entenderam errado, Maynard se nocauteou.</p>
<p>Apesar de estar invicto, já ter vencido o atual campeão e ter um <em>wrestling</em> poderoso, falta algo para Gray. É um lutador muito forte &#8211; provavelmente o mais forte fisicamente da categoria -, mas não tem <em>timing</em> de boxe algum. Florian não bate tão forte, não tem um <em>wrestling</em> tão bom, mas desenvolveu um jogo de pernas excelente e um dinamismo ofensivo em pé que tem tudo para confundir o oponente. Ainda tem um bom repertório de submissões no chão, muito útil caso Maynard consiga levar a luta para baixo, além de consciência tática diferenciada.</p>
<p>Se trocar em pé, Maynard leva prejuízo crônico com seus mata-cobras lançados ao léu. Acho até que não seria nocauteado, mas derrotado numa fácil decisão unânime. Se botar para baixo, corre o risco de ter o mesmo fim da luta contra Nate Diaz, que o guilhotinou na semifinal do TUF 5. A chance de Maynard acertar KenFlo com um de seus parabólicos socos é reduzida. Mas se ele conseguir&#8230;</p>
<ul><strong>Nate Diaz</strong> (EUA) vs <strong>Marcus Davis</strong> (IRL)</ul>
<p>Interessantíssimo duelo de meio-médios de características bastante distintas.</p>
<p>Ex-boxeador profissional em circuitos menores nos EUA, o canhoto americano de origem irlandesa tem mãos pesadas e certamente vai tentar machucar o oponente. Vindo de duas derrotas nas últimas três apresentações, Davis precisa vencer desesperadamente para tentar se manter vivo na categoria.</p>
<p>Os 37 anos e o histórico desagradável de contusões criaram uma barreira para alguém que se confia nas habilidades com os punhos, visto que suas velocidade e potência não são mais as mesmas. Mas, na curta distância, ainda pode representar perigo. O grande problema será atuar no <em>infighting</em> contra um cara 12 anos mais jovem, que imprime um ritmo alucinado em suas lutas e que não tem medo de levar soco na cara.</p>
<p>Se de pé será difícil para Davis encontrar Diaz, no chão a missão tende a se complicar. Apesar de mostrar um <em>clinch</em> decente na luta olímpica, Marcus não é páreo para a guarda ofensiva de Nate. Se levar o combate para baixo, não dou mais que dois minutos para Diaz capitalizar uma submissão. Se o duelo transcorrer de pé, aposto num nocaute técnico no terceiro <em>round</em>, depois de tenso e sangrento embate, a favor do pupilo de Cesar Gracie.</p>
<p>Esta luta pode servir de prévia para o irmão mais velho de Nate. Nick Diaz vai defender seu cinturão do Strikeforce contra KJ Noons, em luta que deve transcorrer de maneira semelhante, porém com maior dificuldade, visto que KJ é muito melhor que Marcus.</p>


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		<title>Alguns esclarecimentos</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Aug 2010 01:18:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Matos</dc:creator>
				<category><![CDATA[MMA]]></category>
		<category><![CDATA[MMA-Brasil.com Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Jiu-jitsu x Wrestling]]></category>
		<category><![CDATA[Polêmica]]></category>

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Nenhum artigo relacionado.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma das minhas funções com o <strong>MMA-Brasil.com</strong> é criar polêmica. Com assuntos e opiniões até certo ponto bombásticas, tento desenvolver uma discussão &#8211; sempre sadia, faço questão de ressaltar &#8211; sobre o MMA e deixo a bola quicando pros amigos leitores também dizerem o que pensam. Acredito que, assim, estou dando uma pequena parcela de contribuição para popularizar o esporte no nosso país. Ninguém é obrigado a concordar comigo, estou sempre disposto a trocar ideias e mudar de opinião quando preciso. Mas as discussões das últimas semanas me obrigam a esclarecer dois pontos. Vamos a eles.</p>
<ul>1º: O fato de eu achar que o <em>wrestling</em> se beneficia de lutas em <em>cage</em> <strong>não significa</strong> que eu ache <em>wrestlers</em> invencíveis.</ul>
<p></p>
<p>Não pude ver o Strikeforce no sábado passado e, portanto, não consegui assistir à vitória de <strong>Rafael Feijão</strong> sobre <strong>King Mo</strong>. Portanto, não tenho como emitir opinião a respeito da luta. Sem entrar no mérito <a href="http://mmajunkie.com/news/20403/king-mo-lawal-says-its-time-to-get-back-to-wrestling-roots-with-or-without-o2.mma" target="_blank">se o americano realmente usou seu <em>wrestling</em></a> de primeiríssima linha na luta, alguns comentários dizendo que o <em>wrestler</em> não conseguiu impor seu jogo de quedas contra o <em>striker</em> chegaram nos artigos anteriores. Um dos comentários, feito por um amigo meu, dizia que &#8220;aparentemente o <em>wrestler</em> não conseguiu fazer o seu jogo sólido de quedas contra o Feijão e a diferença diminuiu na parte de títulos&#8221;, tocando inclusive no próximo assunto deste esclarecimento. Além deste meu amigo, de quem gosto muito, ainda ouço risinhos sarcásticos da Fernanda, principalmente quando um jiu-jiteiro vence um <em>wrestler</em>. Como se eu torcesse para uma arte e não por um atleta.</p>
<p>Meu esclarecimento é simples. Para <strong>prática</strong>, gosto mais de luta olímpica. Tenho mais prazer em praticar <em>wrestling</em> do que arte suave. Assim como gosto mais de boxe do que muay thai &#8211; e ainda assim frequento os treinos comandados por Vitor Miranda na Delfim. Mas a minha preferência em cima do tatame/tapete/ringue fica de lado quando <strong>falo</strong> de MMA.</p>
<p>Como diz o nome do esporte, é preciso ser bom em todas as áreas para atingir o ápice nas artes marciais mistas. Vibrei ao ver um <em>wrestler</em> do porte de <strong>Brock Lesnar</strong> usar o katagatame para bater <strong>Shane Carwin</strong>, assim como achei bonito que o antes dito unidimensional <strong>Matt Hughes</strong> tenha usado um triângulo de mão (meio estranho, é verdade) para apagar o <em>grappler</em> de elite <strong>Ricardo Cachorrão</strong>. Foi legal também ver <strong>Demian Maia</strong> aceitando a trocação aberta e saindo na mão com <strong>Dan Miller</strong>, mostrando que está disposto a encarar outros aspectos da luta que não apenas a tentativa de submissão. Estes são alguns dos exemplos que nos mostram a evolução do esporte.</p>
<p>Acho sim que um <em>wrestler</em> se beneficia das grades para impor seu jogo de <em>clinches</em> e domínio por cima, assim como um <em>striker</em> tem seu jogo facilitado em um ringue apertado, com cantos em 90 graus, ideais para encurralar um oponente. Mesmo ringue com cordas que pode ajudar um lutador de jiu-jitsu escapar e até reverter o domínio de um <em>wrestler</em> no chão. Mas que fique claro que um praticante de jiu-jitsu pode vencer um <em>wrestler</em> num <em>cage</em> (<strong>Rodrigo Minotauro</strong> contra <strong>Randy Couture</strong>), um lutador olímpico pode bater um representante da arte suave num ringue (<strong>Dan Henderson</strong> contra o mesmo Minotauro), assim como um <em>striker</em> pode fazer a festa num octógono imenso e sem cantos quadrados, como nos mostra o reinado de <strong>Anderson Silva</strong> no UFC. E é exatamente aí que reside a graça do MMA &#8211; e de qualquer esporte: ninguém ganha nada de véspera, ninguém perde antes de começar a peleja. A imprevisibilidade ainda existe. E sempre existirá, independente de teóricas vantagens.</p>
<ul>2º: O fato de eu achar que o Brasil perdeu a hegemonia no MMA para os EUA <strong>não significa</strong> que eu penso que todo americano vá vencer qualquer brasileiro, tampouco que o Brasil seja incapaz de conquistar cinturão(ões), muito menos retomar a dianteira.</ul>
<p></p>
<p>Esse assunto é ainda mais engraçado. O nome deste site é <strong>MMA-Brasil.com</strong> e uma das minhas intenções é exatamente ajudar a popularizar o esporte no nosso país. Logo, tudo o que eu puder fazer para ajudar será feito. E isso engloba criticar, em algumas ocasiões. Ou seja, se eu achar necessário descer a lenha em algo ou alguém, farei isso, pois acredito que aprendemos melhor com erros do que com acertos.</p>
<p>Não sou xenófobo nem tenho veia ufanista estilo Galvão Bueno. Também não sou baba-ovo dos EUA, muito menos acho que os filhos do Tio Sam têm parte com o capeta. Costumo brincar dizendo que o Alexandre pessoa jurídica (em nome do <strong>MMA-Brasil.com</strong>) sempre torce pelos brasileiros, mas o Alexandre pessoa física se reserva o direito de torcer pra quem bem entender, seja lá a nacionalidade do sujeito.</p>
<p>Neste ponto, a única coisa que me dá um certo incômodo é ver &#8220;vitória do Brasil!&#8221; e coisas do gênero. O MMA é um esporte individual. As vitórias são individuais. E em alto nível, cada vez mais internacionais. O número de atletas que treinam em diversos países só faz crescer. Pegue o exemplo do supercampeão <strong>Georges St-Pierre</strong>, que treina no Canadá, EUA, Brasil, Inglaterra e onde mais ele achar que pode lhe ser útil.</p>
<p>Além disso, infelizmente nosso país faz muito pouco &#8211; pra não dizer nada &#8211; pelos seus atletas, especificamente no MMA. Ainda assim nossos heróis se orgulham em defender uma pátria que praticamente lhes dá as costas. Entendo que nossos lutadores, quando vencem &#8220;pelo Brasil&#8221;, vencem pelos torcedores, que perdem noites acompanhando suas batalhas, torcendo e apoiando. E eu sempre estarei neste lado. Uma luta de Rodrigo Minotauro, para mim, tem quase o mesmo apelo dramático de um jogo do Flamengo. Uma derrota dele me dói como um título que escapa do meu time. Fico orgulhoso quando ele diz que &#8220;venceu por mim&#8221;, mas entendo que seus triunfos são méritos pessoais. Bem diferente, por exemplo, das vitórias do nosso vôlei, esporte mais vitorioso no Brasil nos dias atuais, que conta com o apoio de entidades nacionais como a CBV e o COB, que tem inclusive dinheiro público para investir na evolução do esporte. Infelizmente o MMA está jogado à própria sorte neste sentido.</p>
<p>Posso escrever um artigo imenso, uma monografia de fim de curso, dizendo porque acho que o modelo de incentivo ao esporte nos EUA é mais eficiente que o modelo brasileiro, se é que temos um. Talvez um dia eu faça isso. Por enquanto, fico por aqui e espero que tenha sido mais claro para os amigos leitores.</p>
<p>Ah, antes que eu me esqueça, amanhã tem o artigo pré-UFC 118! Sábado vou estrear meu celular novo, com teclado QWERTY, para fazer o tempo real do evento via <a href="http://twitter.com/mmabrasil" target="_blank">Twitter</a>. Com o antigo era trabalho miserável digitar alguma coisa&#8230;</p>


<p>Nenhum artigo relacionado.</p>]]></content:encoded>
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		<title>WEC 50 Cruz vs Benavidez 2: Card principal</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Aug 2010 23:05:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Matos</dc:creator>
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<ul><strong>Dominick Cruz</strong> (EUA) vs <strong>Joseph Benavidez</strong> (EUA)</ul>
<p>Lutas envolvendo revanche normalmente são apimentadas. Lutas valendo cinturão levam uma dose extra de tensão. Uma revanche valendo cinturão tem tudo para ser uma guerra.</p>
<p><em>Wrestler</em> de origem, 25 anos, Cruz chegou ao WEC com um cartel de 9-0. De cara enfrentou o então campeão dos penas Urijah Faber pelo cinturão. Foi submetido por uma guilhotina em menos de dois minutos. Esta foi a única mancha na carreira do Dominator, que baixou de categoria, venceu mais quatro lutas, até enfrentar e pulverizar o então campeão Brian Bowles, tomando-lhe o cinturão dos galos.</p>
<p><em>Wrestler</em> de origem, 26 anos, pupilo de Faber na Team Alpha Male, Benavidez chegou ao WEC com um cartel de 8-0. Fez duas lutas, venceu ambas por decisão unânime, dominando-as plenamente, e credenciou-se para disputar o posto de desafiante. Foi derrotado, também por decisão unânime, em uma verdadeira batalha. Esta é a única mancha na carreira do baixinho. O responsável pela derrota? Dominick Cruz. É isso mesmo. Benavidez só perdeu para Cruz, que por sua vez só perdeu para o mentor de Benavidez.</p>
<p>Isso já daria ingrediente suficiente para presenciarmos uma batalha no octógono de Las Vegas. Mas, mais do que isso, veremos em ação os dois pesos galos mais frenéticos do mundo, verdadeiros dínamos. Enquanto Dominick aperfeiçoou o boxe ao seu jogo de quedas e <em>clinch</em>, Joseph desenvolveu o <em>kickboxing</em>.</p>
<p>No combate anterior, Benavidez menosprezou o oponente, acreditando que sua velocidade, capacidade atlética, ritmo intenso e principalmente o <em>wrestling</em> de ponta seriam suficientes para superar o adversário. Deu de cara com um oponente tão rápido quanto, também muito bem preparado fisicamente e que aguenta tranquilamente o ritmo irrefreável de luta. E o pior: foi derrotado basicamente pelo <em>wrestling</em> de Dominick. Dez centímetros mais alto (1,73m contra 1,63m), muito bom na definição de distância e dono de poderosa pegada, Cruz pode ser considerado favorito por leve margem. O estilo frenético de Benavidez vai encarar um lutador do mesmo naipe. A grande desvantagem de alcance de Joe, somada à movimentação ininterrupta de Dominick, vai dificultar a utilização de sua pegada, exibida contra Rani Yahia e Miguel Torres. A defesa de quedas do campeão também deve tornar dura a vida do desafiante no intuito de levar a luta para o chão.</p>
<p>Joseph disse que aprendeu a lição da derrota. Falou que não está disposto a levar a luta para a pancadaria franca e vai apresentar surpresas para o campeão. Acredito que o cinturão permanecerá com o dono atual, mas espero ver 25 minutos <em>non-stop</em>, no melhor estilo WEC.</p>
<ul><strong>Shane Roller</strong> (EUA) vs <strong>Anthony Pettis</strong> (EUA)</ul>
<p>Luta que deve apontar o próximo desafiante do campeão dos leves Ben Henderson.</p>
<p>Três vezes <em>all-american</em>, quatro vezes campeão estadual e campeão do Big 12 Conference pela prestigiada Oklahoma State University, Roller é um <em>wrestler</em> típico. Com 5-1 no WEC (e 8-2 na carreira profissional), não conseguiu nocautear nenhum adversário. Sua única derrota na organização foi exatamente para o atual campeão. Faz parte da Team Takedown, liderado pelo também laureado <em>wrestler</em> Jake Rosholt, peso médio ex-UFC.</p>
<p>Aos 23 anos, Pettis faz jus ao apelido de &#8220;Showtime&#8221;. Tem na luta em pé sua maior virtude, numa mistura de muay thai e taekwondo. Apesar de 8 anos mais jovem, ele já tem mais lutas profissionais que o oponente. Seu cartel de 11-1 é preenchido por três vitórias e uma derrota no WEC. Protagonizou um dos nocautes mais espetaculares do ano, forte candidato a nocaute do ano de 2010, quando mandou o <em>wrestler</em> Danny Castillo para a vala com uma combinação perfeita de jab-direto seguido de canelada que pegou em cheio no rosto de Castillo.</p>
<p>A tática de Roller provavelmente será quedar e trabalhar por cima até conseguir sair para uma submissão. Mas Pettis já sabe disso. Além de ser ótimo trocador, o garoto é versado na arte suave e certamente tem treinado posições para reverter o jogo, já que ser posto para baixo será questão de tempo. Ainda que o <em>wrestling</em> de Shane já neutralizou Anthony Njokuani, outro <em>striker</em> perigoso, Pettis é mais talentoso e representa um perigo maior que o nigeriano.</p>
<p>Se Roller conseguir quedar, a luta fica equilibrada, mas a possibilidade de Pettis pegá-lo no chão é boa. Mantendo a luta em pé, Anthony dará um imenso passo em direção a Ben Henderson. Apesar de mais jovem, Pettis é mais completo e merece o <em>title shot</em>. Arrojadamente aposto em nocaute do Showtime.</p>
<ul><strong>Cub Swanson</strong> (EUA) vs <strong>Chad Mendes</strong> (EUA)</ul>
<p>Antes do WEC 41 eu só tinha visto Swanson lutar em vídeos na internet. A primeira vez que o vi ao vivo foi na luta contra José Aldo. A experiência não me acrescentou muito, já que Aldo acabou com a brincadeira em oito segundos e uma joelhada voadora dupla. Mas a luta seguinte dele foi sensacional. Quebrou a mão no começo contra John Franchi, mas sustentou até o final do terceiro <em>round</em>, quando guilhotinou o oponente faltando 10 segundos para a buzina disparar. Coração o <em>kickboxer</em> já mostrou que tem de sobra, característica que já garantiu a ele dois bônus de Luta da Noite. Mas quem no WEC não tem raça?</p>
<p>Duas vezes <em>all-american</em> (em duas categorias diferentes) e <em>wrestler</em> do ano em 2008,  Mendes é companheiro de equipe de Faber e Benavidez na Team Alpha Male e segue a mesma linha dos parceiros, com muita potência para arremessar os oponentes ao chão e martelá-los. Chad está invicto na carreira profissional com sete vitórias em igual número de lutas.</p>
<p>A trocação de Cub é claramente mais sofisticada. Mas o MMA tem mostrado muitos <em>wrestlers</em> levando vantagem contra <em>strikers</em>. E acredito que esta luta seja mais um exemplo. Mendes não deverá ter maiores problemas em levar o oponente para o chão. Aposto em uma submissão aqui.</p>
<ul><strong>Scott Jorgensen</strong> (EUA) vs <strong>Brad Pickett</strong> (ING)</ul>
<p>Combate que definirá o desafiante dos galos, para enfrentar o vencedor de Cruz x Benavidez.</p>
<p>Scott é um dos lutadores que eu mais gosto de ver em ação. Típico peso galo do WEC, parece lutar ligado na tomada. O garoto que ficou entre os doze melhores do país no <em>wrestling</em> universitário atualmente tem treinado com Urijah Faber e Joe Warren, o que reafirma que a luta olímpica adaptada ao MMA é o seu forte. Não só isso, mas o garoto ainda é muito bom na trocação, faz justiça ao apelido de Young Guns. Apanha de olho aberto, não tem medo de ir para a pancadaria franca, como vimos contra Takeya Mizugaki. Ainda sabe se defender muito bem.</p>
<p>O britânico, ex-campeão do Cage Rage, tem mostrado habilidade na trocação e <em>timing</em> na defesa de chutes e nos contragolpes. Suas quedas são melhores que a média dos seus compatriotas. Isso o torna um lutador bom o suficiente? Acredito que não. Pickett ainda apresenta problemas com defesa de quedas e, mais ainda, quando é posto de costas para o chão. E esta deficiência pode custar caro contra Jorgensen.</p>
<p>Se a luta descambar para a trocação aberta, além de fazer a alegria do povo, tudo ficará equilibrado, com leve vantagem para o estilo mais técnico e destemido de Jorgensen. Mas se o americano conseguir levar a luta para o chão, provavelmente o vencedor da luta principal sabe que terá um osso duro na próxima defesa. Aposto em uma decisão unânime a favor de Jorgensen, depois de pancadaria desenfreada.</p>


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		<title>Ainda somos os melhores?</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Aug 2010 19:30:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Matos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bellator FC]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="wp-content/uploads/2010/08/Brasil_vs_EUA.jpg"><img src="wp-content/uploads/2010/08/Brasil_vs_EUA.jpg" alt="" title="Brasil vs EUA" width="150" height="86" class="alignleft size-thumbnail wp-image-5006" /></a>Temos um prazer enorme de dizer que o Brasil é o precursor do vale tudo, a primeira superpotência do MMA. Enchemos a boca para enumerar nossos campeões e desbravadores ao longo da curta história do esporte que mais cresce no mundo atualmente. Destacamos diversos heróis que levaram a bandeira verde e amarela ao topo do mundo do MMA. Mas será que este panorama ainda está valendo?</p>
<p>A pré-história do MMA (nem tanto quanto o <em>pancration</em> grego e romano) vem do começo do século passado, pelas mãos da família Gracie. O esporte explodiu com a criação do UFC por Rorion Gracie no começo dos anos 90. <strong>Royce Gracie</strong> dominou as primeiras edições, enquanto seu irmão <strong>Rickson Gracie</strong> paralelamente passava o rodo no Japão. Só dava Brasil.</p>
<p>Mas o tempo passou e o esporte evoluiu. Novas técnicas foram introduzidas, assim como métodos de treinamento. E o crescimento americano no esporte veio a reboque. Como sempre acontece quando eles entram de cabeça em algo, os resultados passaram a surgir aos montes. Vejamos rapidamente a lista dos detentores dos cinturões dos cinco principais eventos de MMA no mundo. Entre parênteses estão os desafiantes que já estão definidos para cada um.</p>
<ul>
<li><strong>UFC:</strong> Frank Edgar (BJ Penn), Georges St-Pierre (Josh Kosheck), Anderson Silva, Maurício Shogun (Rashad Evans), Brock Lesnar (Cain Velasquez)</li>
<li><strong>WEC:</strong> Dominick Cruz (Joseph Benavidez), José Aldo (Manny Gamburyan), Ben Henderson</li>
<li><strong>Strikeforce:</strong> Gilbert Melendez, Nick Diaz, Ronaldo Jacaré ou Tim Kennedy, Muhammed Lawal (Rafael Feijão), Alistair Overeem</li>
<li><strong>Bellator:</strong> Joe Soto (Joe Warren), Eddie Alvarez (Pat Curran), Lyman Good (Ben Askren), Hector Lombard (Alexander Shlemenko)</li>
<li><strong>DREAM:</strong> Bibiano Fernandes, Shinya Aoki, Marius Žaromskis</li>
</ul>
<p>Contabilizando todos estes títulos, temos dez campeões americanos (Edgar, Lesnar, Cruz, Henderson, Melendez, Diaz, Lawal, Soto, Alvarez e Good), quatro brasileiros (Anderson, Shogun, Aldo e Bibiano), um canadense (GSP), um holandês (Overeem), um cubano (Lombard), um japonês (Aoki) e um lituano (Žaromskis). Dentre os desafiantes já definidos, oito deles são americanos (Penn, Koscheck, Evans, Velasquez, Benavidez, Warren, Curran e Askren), um é armênio (Gamburyan), um é brasileiro (Feijão), além de um russo (Shlemenko). Desses oito desafiantes dos EUA, dois podem desbancar campeões não-americanos, aumentando para doze o total de americanos donos de cinturão e nos reduzindo a cinco, enquanto apenas um brasileiro pode tomar o título de um filho de Tio Sam. E o único cinturão da lista que hoje está vago será disputado por um americano e um brasileiro (lembrando que o antigo dono era estadunidense).</p>
<p>A primeira interpretação desta lista é bem óbvia: Brasil e EUA são as maiores potências do MMA atual e formam a maior rivalidade no esporte. Mas, infelizmente, os números também mostram uma realidade mais dura: os caras nos deixaram para trás. Metade dos campeões reinantes nasceram naquele país que ainda é uma das maiores potências econômicas do mundo. E o enumerado acima foi reforçado no último sábado, quando o UFC armou um <em>card</em> principal com o mote <strong>Brasil x EUA</strong> em todas as lutas. Quando a maioria de nós acreditava que nossos atletas aplicariam um sacode de 4 x 1 ou 5 x 0 nos caras, eis que fomos dormir derrotados, com um amargo 3 x 2 no lombo, que só não se tornou uma goleada por obra do quase milagre capitalizado por Anderson Silva nos instantes finais da luta principal. Um verdadeiro golpe no orgulho tupiniquim.</p>
<p>Somos naturalmente uma nação produtora de talentos (não só no MMA, diga-se de passagem). Mas fazemos parte de um país que dá pouquíssima atenção à prática esportiva, que é uma das mais fortes e baratas ferramentas de inclusão social que há. Além disso &#8211; ou também em decorrência disso -, os principais eventos acontecem principalmente nos EUA, facilitando muito a tarefa dos atletas norte-americanos, que precisam se deslocar pouco, gastando menos.</p>
<p>Nem sempre foi assim. Nos anos 90, eventos fortes no Brasil eram comuns. <strong>Dan Henderson</strong>, por exemplo, estreou profissionalmente no Brazil Open, antes de começar sua saga internacional no UFC 17. <strong>Mark Kerr</strong>, ídolo dos primórdios do esporte, fez suas primeiras lutas no World Vale Tudo Championship, mesmo evento que outra estrela das antigas, o ucraniano <strong>Igor Vovchanchyn</strong>, expandiu sua carreira para fora das fronteiras do bloco de países que formavam a antiga União Soviética. Como o Brasil era a nação soberana do esporte, os americanos (e não só eles) vinham para cá aprender, se aprimorar. Com a capacidade de organização daquele povo, rapidamente o esporte cresceu e tomou as dimensões que vemos hoje.</p>
<p>Se somarmos a dificuldade de patrocínio com custos de viagens, seja para variações de treinos ou para competições, rapidamente entendemos que é bem mais difícil para um brasileiro brilhar no mundo do MMA atual. Enquanto um americano luta <em>wrestling</em> desde o ensino fundamental, em muitos casos com bolsas de estudos decorrentes do esporte, para um brasileiro se dedicar à luta é preciso muita coragem para encarar um futuro nebuloso &#8211; e em alguns casos, abandonando os estudos. Esta barreira cria uma &#8220;seleção darwiniana&#8221;, onde só os &#8220;fortes&#8221; (os que conseguem patrocínios fortes e/ou bons empresários) sobrevivem. Deste modo, muitos talentos acabam ficando pelo caminho.</p>
<p>Com o crescimento do MMA também em nosso país, a esperança é que possamos dar chances reais ao sem-número de talentos produzidos por estas terras. Para isso, temos muito o que aprender com o modelo americano. Eles tiveram humildade de vir aqui aprender e tomar a hegemonia do esporte. Hoje podemos olhar para os métodos de organização, apoio e incentivo ao esporte e políticas de investimento feitos pelos americanos. Acho que nem meu neto vai ver isso acontecer, já que estamos atrasados nesta área que dá suporte ao crescimento esportivo e social. Como consequência, a tendência é que o domínio americano siga estabelecido. Mas a esperança é a última que morre.</p>
<p><em>O tema deste artigo foi sugerido pelo leitor Rodrigo Mendes. Quer você também colaborar com o <strong>MMA-Brasil.com</strong> dando sugestões de temas? Participe dos comentários, do nosso Fórum ou entre em contato pelo Fale Conosco. Sempre será um prazer saber o que vocês tem a dizer.</em></p>


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		<title>UFC 117: antagonismos, reviravoltas e um evento histórico</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Aug 2010 22:05:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernanda Prates</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>O UFC 117 foi o tipo do evento tão eloquente por si só que eu fico até com medo de falar alguma coisa e estragar tudo&#8230; Mas vamos com cautela. A magnitude da noite já começou a ser delineada em sua elaboração: cinco duelos confrontando as duas maiores potências mundiais do MMA. O charme da ideia era bem óbvio: por um lado, apelou para a veia nacionalista de todos os brasileiros, que veem no <em>mixed martial arts</em> uma supremacia praticamente inexistente em outros esportes (com a atual exceção do vôlei, talvez). Sempre comento que acho estranho o fato do MMA ser tão ignorado no Brasil por um motivo básico: nós mandamos MUITO BEM. Se vez ou outra temos um campeão em outros esportes por aqui, em geral eles são moldados e &#8220;produzidos&#8221; em outros países (exemplo do César Cielo), jogam em clubes de fora (vide o panorama da Seleção Brasileira) ou são obrigados a importar <em>know how</em> e tecnologia. Já no MMA, somos nós que exportamos conhecimento, técnica e talento. Nós ditamos o padrão. Céus, o que há para NÃO se amar?!</p>
<p>Do outro lado do continente, os amiguinhos do Tio Sam também viram no <em>card</em> de sábado uma oportunidade inédita de mostrar quem é que manda. A vaidade esportiva da potência norte-americana tomou uma bela cutucada com o MMA, pintando de verde e amarelo desde seus primeiros <em>armlockzinhos</em>. Porém, se o Brasil inaugurou o octógono sem deixar chance pra ninguém (Royce Gracie que o diga), os amiguinhos <em>yankees</em> estão correndo atrás do prejuízo direitinho. Vide o resultado de sábado, que terminou com um “placar” (rejeito esse tipo de contagem, mas enfim) de 3 a 2 para eles, em lutas que começaram com favoritismo brasileiro. Cada vez mais, os lutadores brazucas estão começando a compreender que não se pode ignorar o poder do <em>wrestling</em> &#8211; lição que os americanos já tinham aprendido sobre o jiu-jítsu. Apesar da rixa entre as duas modalidades de luta de chão continuar mais viva do que nunca, dificilmente se vê um lutador unidimensional conseguir se dar bem entre os cada vez mais completos talentos do UFC. Mas parece que os americanos se deram conta disso mais cedo, e agora é o Brasil que vai ter que dar um belo <em>sprint</em> para recuperar a supremacia.</p>
<p>Contudo, apesar desse consenso sobre a necessidade do aperfeiçoamento em tudo, o próprio patriotismo esportivo sempre recai sobre essa já velha rivalidade entre o jiu-jítsu brasileiro (fofamente apelidado de BJJ) versus o <em>wrestling</em>, sabiamente ajustado pelos americanos para o octógono. O curioso dessa &#8220;briga&#8221; é que em TODO evento é possível encontrar argumentos convincentes para defender qualquer um dos &#8220;lados&#8221;. O UFC 117 não foi exceção. <strong>Jon Fitch</strong>, por exemplo, mostrou como um <em>wrestling</em> bem aplicado pode ser de eficiência ímpar na hora de anular a vibe do amiguinho. O chatíssim&#8230; digo, estratégico jogo de quedas + <em>ground and pound</em> do americano deixaram o talentoso <strong>Thiago Pitbull</strong> sem ação. Pela segunda vez. A cada vez que as pernas rolicinhas do brasileiro voavam pelo ar, nós já sabíamos que lá se iam mais alguns preciosos minutos de amarração e, claro, pontos para a cria do Tio Sam. Vitória dolorosamente entediante, mas justa. O americano agora está na fila para enfrentar o vencedor do duelo Georges St-Pierre x Josh Koscheck. Como acredito que uma vitória de Koscheck sobre o canadense seja altamente improvável (além de tão deprimente quanto o pensamento do Pinguim derrotando o Batman), ainda nutro esperanças de que St-Pierre mate, como já fez antes, o jogo bastante unilateral de Fitch. Agora, resta torcer pra zebra ficar longe do octógono e não permitir que Koscheck roube o cinturão de St-Pierre, já que uma batalha do fanfarrão americano com Jon Fitch provavelmente seria mais entorpecente do que um dueto entre Enya e Kenny G. De qualquer maneira, acho que Pitbull ainda é um dos mais talentosos da categoria, e me dói um pouco vê-lo anulado de maneira tão frustrante. Mas não deixa de ser uma prova da eficiência do <em>wrestling</em>.</p>
<p>Por outro lado, acho que todos concordamos que, no fim das contas, foi o jiu-jítsu que roubou o show. Além de <strong>Matt Hughes</strong>, que defendeu bem a causa com o bizarro triângulo de mão que botou <strong>Ricardo Cachorrão</strong> para dormir como um bebezinho, <strong>Anderson Silva</strong> conseguiu escapar de uma das sovas mais humilhantes do octógono (com direito a sete &#8220;telefones&#8221;, no melhor estilo briga durante o recreio da quarta série) usando justamente a arte suave. Tenho opiniões muito fortes sobre esse combate, muitas das quais foram expressas de maneira até meio, ahn, excessivamente empolgada via Twitter (<a href="http://twitter.com/nandapopota" target="_blank">@nandapopota</a>), mas vou me focar em um fato: aquele triângulo falou mais em nome do jiu-jítsu do que MUITO atleta por aí. O Aranha tirar aquela finalização do chapéu após cinco <em>rounds</em> apanhando que nem mala velha mostrou que a arte suave continua sendo um trunfo inigualável na hora do aperto. Apesar de não propiciar quedas espetaculares e não anular tão bem a brincadeira do amiguinho, ela oferece inúmeras possibilidades de reversão de jogo. Enquanto um <em>wrestler</em> jogado de costas para o chão fica mais cego que adolescente espinhento vendo filme da Megan Fox, o praticante de jiu-jitsu consegue achar um ângulo de QUALQUER posição, sob qualquer circunstância. Abatido, espancado, cansado, de costela quebrada, não importa: sempre é possível encontrar um bracinho desgarrado ou aquele tornozelinho errante para dar uma torcidinha maliciosa. E é justamente essa capacidade intrínseca de reviravolta que nos propicia momentos como a virada história de Anderson. Permitam-me aqui este momento puxada de sardinha para a arte suave, mas acho que a modalidade sempre nos permite belíssimos e empolgantes momentos que talvez o <em>wrestling</em> puro nunca seja capaz de fornecer.</p>
<p>Mas o mais legal é que, mesmo após escrever esse texto, continuo muito em cima do muro quanto ao que vi no sábado. Apesar de fãzoca confessa da arte suave, sou forçada a admitir que até o eficiente <em>wrestling</em> tem seus belos momentos de espetáculo, como quando vemos um marmanjo de 100 Kg arremessado pelo ar tal qual uma almofadinha felpuda. Aplico a mesma relativização para o UFC 117 como um todo. A magia de eventos como esse não é necessariamente provar a supremacia de uma nação ou a vantagem de um estilo de luta; é justamente o contrário. Mais do que definir, eventos como esse apontam justamente as indefinições e contrapontos que fazem do MMA um esporte tão empolgante. Já se passaram dias, e eu continuo teorizando, discutindo e até brigando com os outros sobre os duelos de sábado. Quer repercussão melhor que isso?</p>
<p><em>Este artigo foi originalmente publicado no blog No Octagon, em <a href="http://www.jblog.com.br/nooctagon.php?itemid=22917" target="_blank">http://www.jblog.com.br/nooctagon.php?itemid=22917</a>.</em></p>


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		<title>UFC 117 Silva vs Sonnen: Análise do card principal</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Aug 2010 03:14:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Matos</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Muita gente já dizia que o <strong>UFC 117</strong> seria sensacional. Mas acho que nem o mais cruel dos roteiristas de Hollywood tramaria um desfecho tão inacreditável. Depois de falar tudo o que podia e o que não podia, <strong>Chael Sonnen</strong> chocou o mundo, fez o que quis com <strong>Anderson Silva</strong> por cerca de 22 minutos, mas&#8230; Com seu velho jogo chato e eficiente, <strong>Jon Fitch</strong> venceu mais uma vez <strong>Thiago Pitbull</strong>, credenciando-se ao posto de próximo desafiante. <strong>Rafael dos Anjos</strong> dominou toda a luta, mas sofreu uma contusão no terceiro <em>round</em> e acabou derrotado por <strong>Clay Guida</strong>. Apesar de rejeitar o rótulo, <strong>Matt Hughes</strong> mostrou que é o Gracie Killer II ao submeter (!!!) <strong>Ricardo Cachorrão</strong>. Na luta que abriu as transmissões, <strong>Junior Cigano</strong> ganhou o posto de desafiante ao bater categoricamente <strong>Roy Nelson</strong>. No fim das contas, o que seria uma lavada de 5 x 0 ou 4 x 1 pro Brasil terminou num indigestíssimo 3 x 2 pros <em>homi</em>&#8230;</p>
<ul><strong>Anderson Silva</strong> (BRA) venceu <strong>Chael Sonnen</strong> (EUA) por submissão (3:10, R5)</ul>
<p><center><a href="wp-content/uploads/2010/08/UFC117_AndersonSilva_ChaelSonnen.jpg"><img src="wp-content/uploads/2010/08/UFC117_AndersonSilva_ChaelSonnen.jpg" alt="" title="UFC 117 Anderson Silva submeteu Chael Sonnen" width="300" height="200" class="aligncenter size-medium wp-image-4979" /></a></center><br />
</p>
<p>Anderson estava no débito com o chefe e, principalmente, com os fãs. Tinha ele a chance de trucidar Sonnen, como fizera contra Forrest Griffin. Ainda assim não teria seu perdão 100% garantido &#8211; como não teve na outra vez. Mesmo que de forma inconsciente, ele optou pela redenção ao melhor estilo Rocky Balboa, o mesmo que transformou Rodrigo Minotauro em herói nacional.</p>
<p>Nunca tinha visto ninguém falar tanto antes de uma luta como Chael. E olha que acompanho boxe há mais de 20 anos, já vi muito boquirroto por aí. Mas o pior foi constatar que eu nunca vi ninguém fazer com Anderson o que o americano fez. Levar vantagem no jogo de quedas e <em>ground and pound</em> seria normal para um ex-campeão nacional de <em>wrestling</em>. Mas Sonnen dominou o campeão também na trocação, especialidade do Spider. Os papéis se inverteram. Por mais de 20 minutos, Chael Sonnen atuou como campeão, enquanto Anderson Silva postava-se como um desafiante assustado com a pressão do momento.</p>
<p>O primeiro <em>round</em> foi certamente o mais triste da carreira do campeão. De acordo com as estatísticas do <a href="http://www.compustrike.com/stats_files/ufc_117/Silva-Sonnen.HTM" target="_blank">CompuStrike</a>, Anderson tentou ridículos 9 golpes, acertando apenas um soco e um chute. Completamente dominante, o desafiante quedou uma vez e teve 57% de aproveitamento dos 89 golpes desferidos nos cinco minutos iniciais, mais da metade deles disparados do chão, especialidade de Sonnen. Assustado e incrédulo com o que via, apontei 10-9 a favor do americano pelo Twitter. Depois, vendo a reprise com calma, mudei minha marcação para 10-8.</p>
<p>A pressão continuou nos dois <em>rounds</em> seguintes. Cumprindo a promessa de não apenas vencer, mas humilhar o Spider, Sonnen aumentou suas médias obtidas no <em>round</em> inicial. A diferença é que ele desistiu de brincar em pé e partiu logo para sua zona de conforto, levando a luta para o solo, obtendo sucesso nas duas tentativas de queda. E, no <em>ground and pound</em>, vieram socos e cotoveladas. Até uma famigerada sequência de sete &#8220;telefones&#8221; o americano disparou. De costas pro chão, com Chael em sua guarda, Anderson tentou cortar a distância, mas teve sua cabeça arremessada contra o chão. Foram muitos golpes sem tanta contundência, é verdade, mas que feriram fundo o orgulho do supercampeão. Dois 10-9 abriram vantagem inimaginável para Chael.</p>
<p>Apresentado ao inferno, Anderson tentou mudar o panorama no quarto. Aproveitou uma empolgação de Sonnen e disparou uma canhota seguida de chutes nas pernas e tronco. Tentou ainda um <em>elbow uppercut</em>, parecido com o que <a href="http://www.youtube.com/watch?v=mkGYG5c3pUQ" target="_blank">nocauteou Tony Fryklund no Cage Rage</a>. Para evitar a pressão, o desafiante puxou o campeão para a guarda e dali conseguiu reverter, voltando à posição dominante por cima. A manutenção do cinturão a esta altura já era considerada um milagre. No meio de uma saraivada de golpes, Anderson conseguiu uma manobra que pode ter influenciado no resultado final: acertou uma belíssima cotovelada debaixo para cima, que abriu um rombo no supercílio esquerdo de Chael. Ainda assim o americano levou mais um <em>round</em> por 10-9.</p>
<p>O campeão voltou para o quinto numa situação desesperadora jamais vista em sua carreira. Conseguiu defender a única tentativa de queda de Sonnen no <em>round</em>. Com um direto de esquerda, Chael chegou a desequilibrar o Spider, mas o brasileiro acabou caindo quase sozinho. Com o desafiante novamente batendo dentro da guarda do campeão, eis que Anderson faz uma tentativa de encaixar um triângulo. Talvez lembrando de Demian, Sonnen se desesperou. Anderson esticou ainda mais o braço do americano e apertou o estrangulamento. Com a cabeça inchada e expressão de dor no rosto (situação talvez agravada pelo corte do <em>round</em> anterior), Sonnen deu dois envergonhados tapinhas quase imperceptíveis. Anderson gritou para o árbitro Josh Rosenthal, sinalizando a desistência de Chael. Cachorramente, Sonnen se aproveitou que Anderson afrouxou o golpe e tentou voltar à luta. Sob protestos dos dois atletas, Rosenthal consultou o replay e viu que realmente o americano havia desistido. Alguns reclamaram que Sonnen não deu os famosos &#8220;três tapinhas&#8221;. É verdade, mas devo lembrar que três não é nenhum número cabalístico, e sim uma convenção. Assim como Fedor Emelianenko só precisou de um tapinha para ver seu reinado ruir contra Fabricio Werdum, Tomasz Drwal deu uns 70 para tentar fazer Toquinho largar sua perna e Hernani Perpetuo sequer precisou mexer a mão para que Mario Yamasaki interrompesse a luta contra Junior Killer no Shooto Brasil 17. </p>
<p>No resumo frio dos números, o Spider foi atingido incríveis 289 vezes (70% de aproveitamento), enquanto acertou o alvo em parcos 29 golpes (menos de 50% de eficácia). Isso significa que Sonnen acertou mais golpes que todos os 11 adversários anteriores de Anderson SOMADOS, enquanto o campeão, em toda a luta, acertou apenas metade da média de um <em>round</em> do desafiante. Além da reação <em>balboliana</em>, ficam para a história a sétima defesa de cinturão e a décima-segunda vitória consecutivas, recordes absolutos do UFC. Para coroar a sacrificante epopeia, Anderson levou para casa os bônus de Submissão e Luta da Noite. E, como prêmio máximo, recuperou o carinho outrora perdido pela maioria dos fãs.</p>
<p>Para fechar, fiquem com o momento &#8220;Pai Alexandre de Oxossi&#8221;. <a href="http://twitter.com/mmabrasil/status/20601918405" target="_blank">Veja aqui</a> a minha <em>tuitada</em> logo após Fitch vencer Pitbull.</p>
<ul><strong>Jon Fitch</strong> (EUA) venceu <strong>Thiago Alves</strong> (BRA) por decisão unânime (30-27, 30-27, 30-27)</ul>
<p><center><a href="wp-content/uploads/2010/08/UFC117_JonFitch_ThiagoAlves.jpg"><img src="wp-content/uploads/2010/08/UFC117_JonFitch_ThiagoAlves.jpg" alt="" title="UFC 117 Jon Fitch venceu Thiago Alves" width="300" height="200" class="aligncenter size-medium wp-image-4978" /></a></center><br />
</p>
<p>Lutas de Jon Fitch são as únicas que prefiro ver em VT do que ao vivo. Com o poder do controle em mãos, posso ver a movimentação até que Fitch consiga levar a luta para o chão. Neste momento é hora de acionar o <em>fast foward</em> até o próximo <em>round</em>. Como ao vivo não tem essa mamata, não resta outra alternativa senão lutar contra uma ou outra bocejada.</p>
<ul><strong>Clay Guida</strong> (EUA) venceu <strong>Rafael dos Anjos</strong> (BRA) por (1:51, R3)</ul>
<p><center><a href="wp-content/uploads/2010/08/UFC117_ClayGuida_RafaelDosAnjos.jpg"><img src="http://www.mma-brasil.com/wp-content/uploads/2010/08/UFC117_ClayGuida_RafaelDosAnjos-300x221.jpg" alt="" title="UFC 117 Clay Guida venceu Rafael dos Anjos" width="300" height="221" class="aligncenter size-medium wp-image-4977" /></a></center><br />
</p>
<p>A estreia do brasileiro no UFC contra Jeremy Stephens mostrou como ele é bom tecnicamente, mas como também é azarado. O UFC 117 nos fez relembrar esse fato desagradável.</p>
<p>Contra um adversário que parece lutar ligado na tomada, Rafael mostrou evolução no jogo em pé. Apesar de ter levado um pezão na cara logo no primeiro minuto, o brasileiro dominou o <em>round</em> inicial usando um muay thai refinado com bela movimentação, sem se expor muito a trocas insanas no <em>infight</em>. Trabalhou bem os chutes nas pernas, mostrou boa defesa de quedas e ainda conseguiu uma, numa baiana que seguiu um <em>upper</em> no queixo. Rafael mereceu 10-9 e aplausos nos cinco minutos iniciais.</p>
<p>Apesar do domínio, em algum momento do <em>round</em> inicial Rafael foi alvejado. Assim que encontrou seus córneres no intervalo, ele avisou que quebrou o maxilar. E esta infelicidade acabou por custar uma vitória que seria importantíssima. Além da forte dor que provoca, uma contusão no maxilar atrapalha a fixação do protetor bucal. Aos gritos de &#8220;Let&#8217;s go Guida!&#8221;, o Capitão Caverna cresceu no combate a partir do segundo <em>round</em>. Clay passou a acertar mais a região machucada de Rafael, minando o oponente. Com um ritmo visivelmente mais reduzido, Dos Anjos acabou sendo quedado com facilidade. Tentou uma omoplata no chão, buscou afastar o adversário com uma guarda fechada, às vezes rastejando pra cima. Tentou raspar. Não conseguiu e acabou com o maxilar atingido algumas vezes, ora por golpes, ora por pressão do ombro ou cotovelo de Guida. Era angustiante imaginar a dor de Rafael, vendo o esforço que ele fazia para sair debaixo do adversário, que empatou a luta com 10-9 no segundo.</p>
<p>Aguentar mais cinco minutos com o maxilar quebrado é duro demais. Com 50 segundos de movimentação, Guida travou o <em>clinch</em>. Daí pra uma poderosa queda foi um pulo. Uma vez no chão, com Rafael novamente por baixo, foi só Clay arrastá-lo para a grade e pressionar o ombro contra o maxilar machucado do brasileiro. Não restou outra alternativa a Dos Anjos senão desistir.</p>
<p>Nota: Clay Guida não é o lutador mais engraçado do mundo à toa. Adiante o <a href="http://www.mmabloodbath.com/2010/08/clay-guida-vs-rafael-dos-anjos-video.html" target="_blank">vídeo da luta</a> até o intervalo do segundo para o terceiro <em>round</em> e curta o exemplar arroto emitido pelo cavernoso lutador.</p>
<ul><strong>Matt Hughes</strong> (EUA) venceu <strong>Ricardo Almeida</strong> (BRA) por submissão (3:15, R1)</ul>
<p><center><a href="wp-content/uploads/2010/08/UFC117_MattHughes_RicardoAlmeida.jpg"><img src="wp-content/uploads/2010/08/UFC117_MattHughes_RicardoAlmeida.jpg" alt="" title="UFC 117 Matt Hughes submeteu Ricardo Almeida" width="300" height="216" class="aligncenter size-medium wp-image-4975" /></a></center><br />
</p>
<p>A gente pode reclamar que Hughes não está mais na velha forma, mas não tem como ignorar sua presença no octógono. O cara continua cascudo.</p>
<p>Mais jovem e ágil, Cachorrão circulava e, com <em>jabs</em> e chutes baixos, dominava a distância, evitando assim a aproximação para quedas do perigosíssimo <em>wrestler</em>. Ao tentar entrar também com <em>jabs</em> e <em>low kicks</em>, Hughes ficou com um direto no rosto de presente. Matt tentou o <em>clinch</em> duas vezes, mas Ricardo evitou. O brasileiro dava a nítida impressão que não seria atingido pelo americano, até que um despretencioso gancho de esquerda do ex-campeão acertou a ponta do queixo de Almeida, que caiu sentado. O integrante do Hall da Fama partiu então para finalizar a luta. Encaixou um triângulo de mão esquisitíssimo e apertou o estrangulamento. Cachorrão, como o clã Gracie, tentou resistir, não deu os tapinhas e&#8230; acabou apagando.</p>
<p>Matt Hughes realmente não tem a menor condição de vencer Georges St-Pierre para retomar o cinturão que foi seu por tanto tempo. Mas é incrível como, mesmo mais velho e mais lento, ainda consegue surpreender muita gente. E depois de vencer Royce Gracie, Matt Serra, Renzo e Cachorrão, parece mesmo que o monstrinho recebeu de Kazushi Sakuraba o cetro de Gracie Killer.</p>
<ul><strong>Junior dos Santos</strong> (BRA) venceu <strong>Roy Nelson</strong> (EUA) por decisão unânime (30-27, 30-27, 30-26)</ul>
<p><center><a href="wp-content/uploads/2010/08/UFC117_JuniorCigano_RoyNelson.jpg"><img src="wp-content/uploads/2010/08/UFC117_JuniorCigano_RoyNelson.jpg" alt="" title="UFC 117 Junior Cigano venceu Roy Nelson" width="300" height="223" class="aligncenter size-medium wp-image-4976" /></a></center><br />
</p>
<p>Dois sentimentos bem diferentes fluiram desta luta. Vamos começar pela parte boa.</p>
<p>Junior teve mais uma grande atuação, novamente mostrando que é um dos melhores boxeadores do MMA atual. Tirou onda com sua movimentação e preparo atlético &#8211; características que ficaram ainda mais evidentes diante da esquisitice física de Nelson -, bateu como quis. Defendeu as tentativas de queda com relativo sucesso (atenção a esta parte, voltarei adiante). No <em>clinch</em>, onde Big Country poderia levar vantagem, Cigano conseguiu neutralizar qualquer tentativa de ação ofensiva do redondo oponente. Com diretos, cruzados, <em>uppers</em>, ganchos, o brasileiro brincou de socar o adversário, que mostrou ter grande resistência, aguentando uma bela surra. Por muitas vezes Cigano disparava bombardeios contra um Nelson que apenas tentava proteger o rosto com as mãos, sem conseguir esboçar reação. O primeiro <em>round</em>, vencido por JDS por 10-8, foi de dar pena do americano.</p>
<p>O domínio prosseguiu nos dois <em>rounds</em> seguintes, porém com menor diferença. Nelson conseguiu alguns belos socos, a maioria deles lançado ao ar, quase como uma loteria. Alguns deles acertaram o alvo, causando inclusive sangramento no rosto do brasileiro. Mas, fora estes momentos ofensivos do Big Country, Junior controlou a luta como quis. Com mais dois 10-9, Junior ganhou a luta por 30-26 (na nossa contagem) e o posto de próximo desafiante, para enfrentar o vencedor de Brock Lesnar x Cain Velasquez, valendo o cinturão dos pesados do UFC.</p>
<p>E aí que vem a parte preocupante. O catarinense mostrou pouca variedade de jogo (não só nesta luta, frise-se). Usou quase nada os chutes, principalmente os baixos, grande ferramenta para minar a movimentação do oponente, que seria muito útil num combate contra um dos monstros do <em>wrestling</em>. E isso contra um desafio do porte do que vem pela frente é altamente preocupante. Tanto Velasquez quanto &#8211; principalmente &#8211; Lesnar serão problemas grandes demais. Não há dúvidas que Cigano é um grande lutador e deve ser respeitado e temido por qualquer adversário. Mas também não temos dúvidas que tanto Lesnar quanto Velasquez não tem medo de levar soco na cara. E batem melhor do que Nelson. E quedam ainda melhor. Mas deixo esta conversa para um artigo separado.</p>


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		<title>UFC 117 Silva vs Sonnen: Card principal</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Aug 2010 22:37:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Matos</dc:creator>
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<p><strong>IMPORTANTE:</strong> o evento será transmitido ao vivo pelo canal Sportv, sem <em>pay-per-view</em>.</p>
<ul><strong>Anderson Silva</strong> (BRA) vs <strong>Chael Sonnen</strong> (EUA)</ul>
<p>Seja motivado pela expectativa do comportamento de Anderson, seja pela quantidade de absurdos dita por Chael, esta é uma luta que todos aguardam ansiosamente.</p>
<p>Depois dos acontecimentos lamentáveis que envolveram a vitória sobre Demian Maia, Anderson ficou na linha de tiro do UFC. Falar mal do Spider passou a ser um dos esportes mais praticados por fãs de todo o mundo. Houve quem até &#8211; pasme! &#8211; duvidasse da capacidade técnica do campeão.</p>
<p>Diferente do que muitos pensam, Sonnen é um cara duro. Muito bom de quedas e capaz de imprimir um ritmo muito forte durante toda a luta, o americano é uma cria típica da Team Quest. Duas vezes campeão nacional universitário de greco-romana, <em>all-american</em> da Divisão I da NCAA e ex-integrante da seleção americana de luta olímpica, tem um estilo bastante previsível mas, ainda assim, eficiente. Dono de um dos melhores preparos físicos do MMA mundial, Sonnen aguenta levar soco na cara (o que, numa luta contra Anderson, é um grande ponto a seu favor). Prova disso é que, desde que foi submetido por Paulão Filho no final de 2007, Chael venceu cinco de suas seis lutas por decisão unânime. A derrota para Demian no meio das cinco vitórias mostra um caminho para a luta.</p>
<p>Numa tentativa rápida de análise do que pode acontecer neste combate, passa-me pela cabeça a imagem de Sonnen repetindo Carlos Newton. No PRIDE 25, o canadense tentou voar nas pernas de Anderson e deu de cara com a rótula direita do oponente, no golpe que culminou no nocaute. Imagino uma tentativa de queda de Sonnen também acabando numa joelhada imoral do Spider.</p>
<p>Mas, pensando com um pouco mais de calma, acredito que Chael não será burro o suficiente de entrar como um alucinado para dentro do <em>striker</em> mais versátil e criativo da história do esporte. Em vez disso, imagino que Sonnen tentará encurtar a distância e desenvolver a greco-romana até conseguir quedar e cair por cima, trabalhando seu bom e velho <em>ground and pound</em>. Simples? Eu não queria ser o americano. Primeiro: encurtar a distância contra Anderson é tarefa para poucos. Sonnen vai levar muita pancada até conseguir o feito. Como eu mesmo já disse que levar na cara não é problema para ele, vamos ao problema dois. Mesmo não sendo um <em>grappler</em> de elite como Paulão ou Demian, Anderson é suficientemente versado na arte suave para catar um bracinho de Sonnen e apertar a cabeça do oponente num triângulo, caso caia por baixo. E se a gente ainda levar em consideração que o campeão deve entrar com vontade de calar a boca do desafiante (e de meio mundo)&#8230; Se correr, o bicho pega. Se ficar, o bicho come.</p>
<p>Meu palpite é Anderson Silva por&#8230; submissão! Mas só no quinto <em>round</em>, depois de 20 e poucos minutos de massacre. Brasil 1 x 0 EUA.</p>
<ul><strong>Thiago Alves</strong> (BRA) vs <strong>Jon Fitch</strong> (EUA)</ul>
<p>Rivalidade à tona nesta movimentação de meio-médios, que vai apontar o próximo desafiante depois de Josh Kosheck.</p>
<p>Antes de ser derrotado por Georges St-Pierre no UFC 100, Pitbull vinha de uma série impressionante de sete vitórias, incluindo o ex-campeão Matt Hughes e o atual desafiante. Esta sequência começou em 2006, exatamente após uma derrota para Jon Fitch. Muito mais forte e principalmente mais maduro, o cearense quer mostrar que as coisas serão diferentes desta vez.</p>
<p>Jon talvez seja um dos mais subestimados atletas do UFC. O chato e eficiente jogo de quedas e controle no chão escondem um retrospecto sensacional de 13 lutas e apenas a derrota para o supercampeão da divisão. Das 12 vitórias, 8 foram consecutivas, o que lhe dá a segunda maior série invicta da história do UFC.</p>
<p>Certamente o americano não será trouxa de trocar porrada de peito aberto contra o <em>striker</em> mais perigoso da categoria. O jogo que Fitch deve imprimir provavelmente vai ser bastante parecido com o que GSP usou para passar o carro no brasileiro em julho do ano passado. Mas, para sorte de Thiago, Fitch é muito bom, mas não é nem sombra de St-Pierre. E agora, mais experiente depois do <em>title shot</em> e com fome de vingança, Pitbull deve mostrar a mesma eficiência nas defesas de queda que anularam os jogos de Hughes e Kos.</p>
<p>Vai ser difícil, vai ser amarrado, mas acho que o brasileiro vai encontrar um espaço pra nocautear o americano. Brasil 2 x 0 EUA.</p>
<ul><strong>Rafael dos Anjos</strong> (BRA) vs <strong>Clay Guida</strong> (EUA)</ul>
<p>Confronto de pesos leves que pode deixar o vencedor na porta de entrada de um <em>title shot</em>, principalmente se Dos Anjos triunfar.</p>
<p>Numa divisão recheada de <em>wrestlers</em> fortes, taí um confronto interessantíssimo. O Capitão Caverna é dono de um dos estilos mais frenéticos e, por isso mesmo, mais interessantes de se ver no UFC. Dos seus últimos adversários, três deles são reconhecidos pela desenvoltura na luta agarrada (Nate Diaz, Diego Sanchez e Kenny Florian). Todo este estudo de <em>grappling</em> será útil contra o brasileiro, que submeteu metade de seus oponentes vencidos.</p>
<p>Mas não é só no jiu-jitsu que Rafael se destaca. Canhoto, tem um boxe decente e sabe usar os chutes baixos. Esta combinação, nas mãos de KenFlo, resultou em pesadelo para Guida. E como acho Dos Anjos mais técnico que Florian, os problemas do Carpinteiro podem (e devem) se multiplicar. A favor do americano, o ritmo alucinado, que pode desestabilizar o brasileiro. Mas, mais calmo e mais maduro, Rafael deve ter um antídoto para isso &#8211; tipo tirar Clay da tomada.</p>
<p>Com este fortíssimo candidato a Submissão da Noite, Brasil 3 x 0 EUA.</p>
<ul><strong>Ricardo Almeida</strong> (BRA) vs <strong>Matt Hughes</strong> (EUA)</ul>
<p>Outro combate de meio-médios com ar de vingança, com Cachorrão tentando limpar a honra da família Gracie.</p>
<p>Todo o desenrolar que imaginamos para o confronto de Hughes contra Renzo deve ocorrer neste combate. Cachorrão certamente entendeu o recado passado pelo ex-campeão no UFC 112 e deve tentar a todo custo levar a luta para sua zona de conforto. E aí é que a luta deve se tornar interessante. Almeida é altamente condecorado no jiu-jitsu, mas Matt está longe de ser cego no chão. Além de ser um dos melhores <em>wrestlers</em> da história do UFC, o americano já venceu o brasileiro num combate de submission em Abu Dhabi.</p>
<p>Outro ponto que torna a luta interessante é a diferença de gerações. Contra Renzo, Hughes teve uma atuação lenta e pouco inspirada. Diante de Ricardo, quase 10 anos mais jovem que Gracie, Hughes vai precisar mostrar mais do que vem fazendo ultimamente. Se Matt preferiri trocar, vai expor sua lentidão contra um adversário forte (ex-peso médio) e dono de bons golpes. Se levar para baixo, vai pegar um Cachorrão muito bom em reversões. E todos nós sabemos como Matt Hughes se porta de costas pro chão. Contra um finalizador como Ricardo&#8230; Brasil 4 x 0 EUA.</p>
<ul><strong>Junior dos Santos</strong> (BRA) vs <strong>Roy Nelson</strong> (EUA)</ul>
<p>Duelo de pesados que vai definir a próxima vaga de desafiante ao cinturão depois de Cain Velasquez ter a sua chance.</p>
<p>Com toda justiça, Cigano se tornou um dos pesados mais temidos do mundo na atualidade. Dono de um boxe velocíssimo e com punhos extremamente pesados, o catarinense levou a nocaute todos os cinco adversários que dividiram o octógono com ele. Porém, ainda não sabemos como o faixa marrom de Minotauro se vira no chão. E isso pode ser representativo nesta luta.</p>
<p>A despeito do que mostra seu protuberante abdômen, Nelson não é um brigador de boteco. Campeão do TUF 10, o faixa preta de Renzo é incrivelmente ágil para um cidadão com seus dotes físicos. Tem em seu currículo inclusive uma vitória sobre Frank Mir no Grappler&#8217;s Quest, um dos mais importantes torneios de submission do mundo. Já treinou o jiu-jitsu de ex-campeões do UFC como Randy Couture e Tito Ortiz. E, além das credenciais de chão, sua saga no UFC vem nos mostrando que ele também tem mãos pesadas e sabe mandar alguém a nocaute.</p>
<p>Distância será a palavra nesta luta. Nelson conseguiu seus dois nocautes encurtando-a. Cigano mandou todos para a vala abusando da movimentação e dos <em>jabs</em>, até achar o ponto certo de largar seus mísseis. Como o brasileiro tem um boxe muito mais ajustado que o americano, encurtar a distância será tarefa árdua para o Big Country. E, mesmo conseguindo a aproximação, acredito que Roy tentará levar a luta para o chão e testar ali seu oponente.</p>
<p>Se a luta se mantiver em pé, Nelson deve levar um atraso e, mais cedo ou mais tarde, acabará nocauteado. Se for para o chão, não tenho base para dizer como Junior vai se portar e aqui caio num ponto de interrogação com consequências inimagináveis. Prefiro acreditar na primeira hipótese, com o sexto nocaute na carreira de Junior, esperando pelo vencedor de Lesnar vs Velasquez. <em>Brazil sweep away USA</em>!</p>


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