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UFC 109 Relentless: Card principal
Escrito por Alexandre Matos | Postado em MMA, UFC | Em 05-02-2010
O UFC 109 traz na sua luta principal um combate pra lá de curioso. Combate histórico, porque pela primeira vez na história do UFC dois integrantes do Hall da Fama da organização se enfrentam. Combate atrasado, porque esta luta deveria ter acontecido em 1998, no UFC 17. Ainda que fora de época, Randy Couture e Mark Coleman farão um dos confrontos mais aguardados da história do esporte. Nos demais combates, o americano Nate Marquardt tenta dar mais um passo na direção da disputa do cinturão e encara Chael Sonnen. O brasileiro Demian Maia tenta contra Dan Miller se reabilitar do nocaute-relâmpago sofrido no UFC 102 e voltar ao trilho da posição de desafiante principal. O oficial do BOPE Paulo Thiago tem outra chance de se manter em ascenção contra Mike Swick. Os brasileiros se juntam aos estreantes Ronnys Torres e Rolles Gracie, que lutam no card preliminar. E abrindo a parte televisionada, o ex-campeão dos meio-medios Matt Serra mede forças contra o ex-desafiante Frank Trigg.
- Randy Couture (EUA) vs Mark Coleman (EUA)
Depois de fazerem fama entre os pesos pesados e virem de vitórias sobre adversários mais de uma década mais jovens, Couture e Coleman se enfrentam na divisão dos meio-pesados, no que poderia virar um combate entre greco-romana contra estilo livre de luta olímpica.
Único homem a ganhar o cinturão entre os pesados e meio-pesados, Couture foi baixado de categoria por Dana White. O presidente da organização acredita que o Natural possa causar problemas a Lyoto Machida, por mais que a controversa vitória sobre Brandon Vera no UFC 105 e a destreza de Machida contra wrestlers tentem mostrar o contrário. Campeão do torneios sem limite de peso tanto no UFC quanto no PRIDE, Coleman também foi baixado para a categoria que lhe parece mais natural. Com verdadeiros gorilas ocupando a divisão dos pesados, baixar de peso foi uma decisão sábia para os veteranos.
Outra esperta decisão foi Coleman declarar que não vai insistir em quedar o oponente. Pressionar Couture com double-legs realmente não vai intimidar o cara que escreveu manual de uso de greco-romana no MMA, até mesmo porque Coleman não tem mais a mesma intensidade nestes ataques. Tentar o clinch e encarar o dirty boxing de Randy, outra especialidade da casa, também será prejuízo para Coleman. E a vitória sobre Stephan Bonnar no UFC 100 evidenciou os problemas na parte de trocação do Hammer, que já tinham sido expostos na atuação pífia contra Maurício Shogun. Por outro lado, Couture desenvolveu sua trocação e suas habilidades de chão – principalmente na defesa – com o passar dos anos, coisa que Coleman nunca fez. Couture se tornou um lutador de MMA, enquanto Coleman até hoje é um wrestler. Mais limitado que o adversário em pé, a única arma ofensiva mostrada por Mark no chão é o ground and pound. Porém seu condicionamento físico não é mais o mesmo e neste ponto leva outro baile de Randy.
Esta diferença de habilidades dá a Couture um largo favoritismo. Aqui na nossa enquete ele lidera com cerca de 75% dos votos. Apesar de ter votado em vitória do Natural, vou torcer para o Hammer. Baseado em que eu não sei. Se não vai quedar, não tem condições de trocar em pé, não tem mais habilidade no chão, como Coleman poderia vencer este combate? Tivesse a luta ocorrida no UFC 17 e Coleman seria o favorito. Mas a contusão de Couture na época adiou os planos e mudou completamente o panorama.
- Nate Marquardt (EUA) vs Chael Sonnen (EUA)
Disputa de pesos médios que pode colocar Nate “The Great” na agulha para a disputa do cinturão contra o vencedor de Anderson Silva e Vitor Belfort.
Marquardt é um dos lutadores mais dinâmicos entre os médios, faixa preta de jiu-jitsu, praticante de kickboxing, karatê kempô, luta olímpica e boxe. Vem de um nocaute espetacular contra Demian Maia em apenas 20 segundos no UFC 102. Tem larga experiência e, apesar de ter apenas 30 anos, vai fazer sua 40a luta de MMA profissional. Treina na Jackson’s Submission Fighting com Georges St-Pierre, Rashad Evans e outras estrelas.
Sonnen é um típico wrestler no MMA, que treina na Team Quest com Dan Henderson e outros. Seu maior feito na carreira foi se tornar o unico homem a vencer Paulão Filho (em que pese o problema de depressão do brasileiro). Foi submetido de modo espetacular por Demian na estreia no UFC e vem de duas vitórias depois disso.
Thales Leites mostrou a deficiência de Nate na defesa de queda. A habilidade de greco-romana de Sonnen pode representar um caminho para a vitória, se conseguir botar o oponente para baixo e trabalhar por cima. O problema é que, para tentar quedar, Chael vai precisar trocar antes. E com seu nível semi-amador de troca, somado às mãos pesadas do exímio contragolpeador Marquardt, o risco de Sonnen ser nocauteado cresce vertiginosamente. Além disso, caso consiga colocar Nate de costas para o chão, Chael ainda vai conhecer a habilidade do adversário em descobrir espaços e voltar a ficar de pé.
- Demian Maia (BRA) vs Dan Miller (EUA)
Duelo de pesos médios que traz dois lutadores que vem de derrota, buscando voltar ao trilho do cinturão.
Considerado o maior lutador de jiu-jitsu no MMA atual, o brasileiro precisa mostrar que o nocaute-relâmpago sofrido contra Marquardt foi desvio de percurso. Visando melhorar na luta em pé, o paulista apostou em treinos de boxe com os irmãos Rodrigo Minotauro e Rogério Minotouro, Junior Cigano, liderado por Luiz Dorea, técnico de boxe dos baianos e de Acelino “Popó″ Freitas em seus melhores dias. Apostar no boxe como proteção ao seu jogo de alto nível de chão foi uma decisão importantíssima, inclusive para evitar fazer o papel do UFC 102. Por ser um lutador inteligente, acredito que Demian não vai incorrer no mesmo erro.
Ir para o chão seria uma decisão estúpida de Miller. Demian já mostrou com cinco vitórias seguidas por submissão que não costuma perdoar quem o desafia em sua zona de conforto. Manter a luta em pé seria a única alternativa para Dan se manter vivo. O problema é que as táticas dele variam entre utilizar o jiu-jitsu e a luta olímpica. Ou seja, nunca precisou confiar nos punhos.
Podemos esperar sem muito susto mais um bônus de Finalização da Noite para o brasileiro, que seria a quinta. Apenas a vitória sobre Nate Quarry não deu este bônus a Demian.
- Paulo Thiago (BRA) vs Mike Swick (EUA)
Confronto de meio-médios que ainda sonham com a posição de desafiante número um do reinado de Georges St-Pierre.
Depois de tirar um nocaute da cartola contra Koscheck, o oficial do BOPE foi derrotado pelo número 2 da divisão, Jon Fitch, numa luta dura e venceu Jacob Volkmann depois. Thiago é muito bom de queda e bom no chão, mas sofreu em pé contra Kos até encontrar o soco salvador. Esta dificuldade pode custar caro contra Swick.
O americano, pupilo da American Kickboxing Academy como Kos (que era o titular da luta antes de se contundir), participou do TUF 1 como, acredite!, meio-pesado. Dono de mãos rápidas e pegada dura, pode acabar a luta com um soco e vai se basear nisso para vencer. Mas sua deficiência no momento de acertar a distância pode custar caro contra Thiago.
Como o brasileiro normalmente não hesita em iniciar as trocações, vai precisar de cuidado com os mortais contragolpes do “Quick” Swick, principalmente porque o brasileiro tem menos capacidade técnica nesta área do que o oponente. Se conseguir encurtar a distância e trabalhar seu jogo de quedas, Thiago tem chance de vencer e se postar como um dos pretendentes sérios a desafiante de GSP.
- Matt Serra (EUA) vs Frank Trigg (EUA)
O mais improvável ex-campeão dos meio-médios mede forças contra um ex-desafiante em idade avançada.
Campeão do The Ultimate Fighter 4, Serra protagonizou a maior surpresa que eu vi no MMA na última década, ao nocautear ninguém menos que Georges St-Pierre, quando ganhou o cinturão do UFC em 2007. Mas desde aquela zebraça Matt não venceu mais ninguém. Foi atropelado por GSP na revanche e perdeu por decisão para seu arquirrival Matt Hughes. Serra tem retrospecto de 6-6 pela organização e já voltou ao seu lugar de origem, como escada da divisão.
Aos 37 anos, Frank Trigg pode ter sua última chance no UFC. Depois de ter sido desafiante do cinturão por duas vezes, sendo derrotado em ambas ocasiões por Matt Hughes e ter dado uma respirada em outros ares, Trigg reestreou no UFC no nocaute sofrido contra Josh Koscheck em menos de 80 segundos, no UFC 103. Num evento em que a luta principal envolve um cara de 45 anos contra um de 46, chega a ser ridículo dizer que Trigg está velho. Mas, diferente de Couture e Coleman, Frank não tem grandes serviços prestados ao esporte e muito menos espera ainda conseguir algo de relevante neste fim de carreira.
Serra tem habilidades no jiu-jitsu (foi o primeiro americano a ganhar a faixa preta de Renzo Gracie, em 2000), mas insiste em lutar MMA de pé, na trocação. Esta estratégia, que lhe foi prejudicial na carreira, pode dar resultado agora, se Matt aproveitar o queixo de vidro de Trigg, até mesmo porque Frank tem credenciais de luta olímpica para neutralizar o jogo de chão de Serra.

Olha, sei que não especialista em MMA, mas o Couture causar problemas pro Machida? se ele for com aquele jogo de merda de empurrar na grade, o Lyoto dá uma reviravolta e dá um combo de joelhadas que nem ele deu em outra luta
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Alexandre Matos respondeu:
hehehehehe
Diz isso lá pro Dana, ele q fica se enganando…
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P. S. empurrar na grade igual ele fez contra o brandon vera, aquilo não foi luta, foi enrolação.
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Card fabuloso, acho que as piores lutas são dos 4 velhos, mas o undercard é também o melhor em meses. Ficar de olho em:
Ronys Torres, uma das maiores promessas brasileiras hoje vindo do prolífico time na Nova União.
Rolles Gracie, o sobrenome diz tudo.
Phil Davis, mais um fantástico wrestler promissor entre os meio-pesados.
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Alexandre Matos respondeu:
Concordo q o card é irado. E olha q a luta do Couture x Coleman vai ser muito maneira. Só mesmo Serra-Trigg q vai ser caído.
O undercard ta foda tb. O Ronnys vai chegar de bicho no UFC…
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Acho q a luta principal vai ser ótima. Sou mto fã do Randy e msm se o cara tivesse 60 anos eu nao perdia uma luta dele. Espero q ele finalmente consiga um nocaute, coisa q ele nao faz a um bom tempo.
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Alexandre Matos respondeu:
Walter,
Tb sou fã do Randy, mas nos ultimos tempos andei conhecendo um lado humilde do Coleman q eu nao conhecia.
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Creio q essa historia de baixar o peso dos velhinhos foi mais jogada de Dana pra dar mais folego e foco a eles não creio q farão muita coisa nos meio pesados q na minha opinião e a categoria mais nobre do UFC… Mas de qualquer forma será um show a parte ver mark e randy se enfrentando… Valew.
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desculpa minha pergunta besta, mas qual a diferença entre luta olimpica e luta greco romana?
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Alexandre Matos respondeu:
Felipe,
Nenhuma pergunta é besta, ainda mais sua. Vc manda aqui. Luta olímpica é o termo em portugues pra wrestling. Greco-romana é um estilo de luta olímpica, estilo livre (freestyle) é outra.
Qualquer dúvida vc pode olhar la no nosso glossário tb.
Abraço!
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ah, entendido, como vi que luta greco-romana era disputada nas olimpiadas, sempre achei que ela era chamada de luta olimpica tbm
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Sobre a luta greco-romana e luta olímpica. É complicado porque existem pessoas que fazem diferentes usos de termos, principalmente traduzindo do inglês para o português.
Pra facilitar, vou usar os termos em inglês.
Freestyle wrestling (luta livre) – É basicamente uma modalidade de luta olímpica onde é permitido qualquer tipo de pegada ou rasteira para derrubar o adversário e mantê-lo preso ao chão.
Greco-roman wrestling (luta greco-romana) – É outra modalidade de luta olímpica, mas nessa é proibido usar as pernas para derrubar o adversário ou agarrá-lo da cintura pra baixo (Por exemplo, o double-leg – bahiana – e o single leg não podem ser usados nessa modalidade).
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Alexandre Matos respondeu:
Essa diferença explicada pelo Antonio ajuda a entender a origem dos jogos do Coleman e do Couture no MMA.
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É… o Coleman nos tempos áureos era o rei da bahiana (double-leg). Mas é preciso de muita explosão pra se manter assim.
O Couture é o rei do controle na grade. Vc vê a técnica da greco-romana no controle da parte superior do adversário que o Couture faz de forma impecável… E ele consegue durar mais como lutador também porque esse controle demanda bem menos explosão do que ficar tentando entrar pra quedar à distância.
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Alexandre Matos respondeu:
E o Randy aprendeu a trocar, aprendeu a lutar no chão, principalmente a se defender de submissões. O Coleman não evoluiu em nada, continua o mesmo lutador de freestyle de 1997, só q agora sem a explosão muscular daquela época cheia de deca e dura.
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